A história dos partidos políticos no Brasil

Partidos políticos, a grande maioria da população sequer sabe como funciona, mas já odeia. Acha que são tudo a mesma coisa, estão lá para roubar e etc, e temos que admitir que os partidos realmente não se ajudam. Péssimas alianças, espaços para políticos oportunistas e claro a corrupção fazem com que os partidos sejam mal vistos. E este pensamento de distanciamento dos partidos é extremamente positivo para quem estar por cima. Seja os políticos que estão no poder ou por quem detém o dinheiro realmente, afinal, é através dos partidos que é possível transformar alguma coisa, mesmo que de forma lenta. Ao longo da história, o Brasil já viu muitos partidos surgirem e acabarem, seja por uma mudança de sistema, enfraquecimento, fusões ou por medidas ditatoriais. Confira a história dos partidos políticos no Brasil.



A história dos partidos políticos do Brasil começa durante o Período Regencial, portanto, após a abdicação de D. Pedro I, em 1831. Antes disso até haviam facções pró Imperador ou Contra Imperador, assim como grupo português e grupo brasileiro. Quando eramos colônia também existia o partido brasileiro, porém, tratava-se de uma representação do Governo Português.  

Portanto, do Brasil como país, a construção dos partidos começa na década de 30, quando as facções acabaram se transformando em três partidos.  

Um era o Restauradores, que queriam a volta de D.Pedro I ao Brasil, mas que acabou enfraquecendo e desaparecendo em 1834, com a morte de D.Pedro I. O segundo era o Liberal Exaltado, que era a favor do fim da monarquia e queria transformar o Brasil em República. E o Liberal Moderado, que era a favor da Monarquia, mas com o Poder Legislativo tendo mais força. 

Durante o Segundo Reinado, esses pensamentos acabaram se dividindo em dois partidos de atuação no legislativo. O Partido Conservador, que defendia o regime e apoiava um fortalecimento em torno do Imperador, e o Partido Liberal, que queria um Legislativo mais forte e autonomia das províncias.  

Na sequência, em 1862 surgiu o Partido Progressista, com dissidentes do Partido Liberal. Porém, ele durou muito pouco, se encerrando em 1868.  

Logo na sequência, em 1873, alguns dos membros deste Partido Progressista viria a fundar o Partido Republicano Paulista. Tratava-se de um partido dominado principalmente por grandes proprietários de terras e escravocratas.  

Uma informação curiosa é que o Partido Republicano Paulista é o partido que durou mais tempo. Foram 64 anos entre 1987 e 1937. Isso claro sem considerar partidos que continuaram existindo na ilegalidade, como o Partido Comunista Brasileiro ou partidos que foram fechados e depois ressurgiram, como o Partido Trabalhista Brasileiro.  

E o primeiro boom de partidos surge com a República.  

Primeiramente, surgem os Partidos de âmbito regional. Já existia o Partido Republicano Paulista e daí aparecem também o Partido Republicano Mineiro, o Fluminense, Baiano, Catarinense entre outros.  

A partir da década de 20 começam a aparecer Partidos contrários a essa República Velha, que era dominada pelos Partidos Republicanos Paulista e Mineiro, que tinham mais dinheiro e consequentemente mais poder.  

Daí surgem o Partido Comunista, em 1922, o Partido Libertador, em 1928, a Aliança Liberal, em 1929 entre outros.  

Quando Vargas dá o golpe e chega ao poder, o Brasil passa a ver dois partidos começarem a se destacar. A Ação Integralista Brasileira (AIB), de extrema-direita, criado em 1932 de olho nos passos de Hitler na Alemanha, e Aliança Nacional Libertadora (ANL), de 1935, que tinha como base combater o fascismo e o imperialismo, e entre os nomes tinha Luis Carlos Prestes.  

Só que em 1937, Vargas dá outro golpe e fecha todos os Partidos Políticos do Brasil. Todos deixam de existir ou passar a funcionar na ilegalidade, com seus membros sendo perseguidos.  

Em 1945, Vargas entrega o cargo e o Brasil volta a respirar ares de nova democracia e agora com novos partidos. Desta nova lista tínhamos apenas o retorno do Partido Comunista, que acabou voltando a ser considerado ilegal logo em seguida.  

Só que neste período o Brasil basicamente se dividia entre quem apoiava Vargas e quem era contrário. Entre os antiGetulio estava a União Democrática Nacional. Um partido conservador e já com braços militares. Já a turma Pró-Getulio tinha o Partido Social Deocratico, mais puxado para o conservadorismo, e o Partido Trabalhista Brasileiro, mais ligados aos operários e lideranças sindicais.  

Além desses existiam muitos outros, como o Democrata Cristão, o Republicano e muito mais. 

Mas como todos sabem a democracia durou muito pouco.  

Em 1964 ocorre um novo golpe e todos os partidos passam a ser resumidos em apenas dois dentro da legalidade. 

De um lado, estava a ARENA, ligada aos militares. Do outro estava o MDB, com uma oposição moderada.  

A história só mudaria em novembro de 1979, quando em um dos processos para reabertura da democracia no Brasil foi aprovado o Pluripartidarismo. 

Com isso, o partido dos militares, a Arena se transformou no PDS, Partido Democrático Social. 

Já o MDB virou PMDB, que agora já é MDB novamente. Dos representantes que eram oposição no Congresso vimos surgir também o PTB, o PDT, em 1981 e depois de fora tivemos PT, PC do B, PSB, PSDB e uma lista extensa de siglas que chegam a 33 partidos. Alguns a esquerda, outros a Direita e uma grande maioria ali no Centrão, que se aproveita do pouco interesse da população por política para sambar de todos os lados e conseguir uma boquinha em todos os governos.  

Só que um detalhe importante é que nas últimas décadas ocorreram muitas fusões e também mudanças de nomes, especialmente de partidos que buscavam limpar a imagem ou então para não serem cobrados com condutas do passado. 

É o caso do Partido Democrático Social, que era o antigo Arena, partido dos Militares no período da Ditadura. Ele depois se dividiu entre Partido Progressista Reformador e Partido da Frente Liberal. O primeiro é o que hoje é o Partido Progressista de Ciro Nogueira, que de Progressista só tem o nome. Já o PFL já vai para a segunda mudança. O Partido se transformou em Democratas, em 2007. Só que agora o DEM vai se unir oficialmente ao PSL, se transformando em União Brasil.  

O Podemos, por exemplo, era o Partido Trabalhista Nacional, o Partido Liberal, por exemplo, incorporou o PRONA. Entre muitos outros. 

O período ficou marcado também pelo surgimento de alguns outros partidos, como Unidade Popular, Rede, Partido Novo, Solidariedade, Partido Social Demcorático e mais atrás já com 16 anos te o PSOL. Alguns desses acrescentam ao debate, mas outros estão apenas de olho nas distribuições de cargos. 

Por isso, é fundamental na hora de votar, você avaliar o posicionamento do partido e o histórico de atuação. Definitivamente não são todos iguais.  

Mais do que escolher um Presidente para 2022 é fundamental eleger representantes no Congresso compatíveis com as suas ideias.  

Por isso ao longo do ano você vai ver aqui alguns partidos que ao menos se aproximam das ideias do Outro Lado da História. 

Porque é fundamental que você tenha um, dois ou três partidos de preferência. Isso não trata-se de torcida. E sim de identificação, participação e até mesmo transformação. 

Por muitas das vezes o teu partido vai tomar decisões erradas, fazer alianças desastrosas, mas política se constrói com debate e você precisa apresentar a sua voz nessas discussões. 


Douglas Nunes

Nasci e cresci em São João de Meriti, na Baixada Fluminense, Rio de Janeiro. Me formei em Jornalismo em 2010 e desde então trabalhei com produção de conteúdo, assessoria, gerenciamento de redes sociais e reportagens. Passei boa parte no esporte, mas também escrevi sobre economia, política e marketing. Mais recentemente me formei em história, embora continue trabalhando com jornalismo. Paralelo a isso criei o Canal Outro Lado da História, no qual tenho como objetivo juntar minhas duas formações, trazendo conteúdos diferentes do que é visto na internet atualmente.

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