Motivos da suspensão da Reforma do Ensino Médio

 Foi anunciado pelo ministro da Educação, Camilo Santana, nesta terça-feira (4/4), a suspensão por 60 dias da implementação da reforma do ensino médio.


Nesta terça-feira (4/4), o ministro da Educação, Camilo Santana, anunciou a suspensão da implementação da reforma do ensino médio por 60 dias. Essa reforma foi introduzida por meio de uma medida provisória do governo de Michel Temer (MDB) em 2017 e posteriormente instituída por lei em 2018.



A implementação do Novo Ensino Médio já está em andamento, ocorrendo em etapas. No ano passado, a nova proposta foi introduzida somente para os estudantes do 1º ano do ensino médio. 

Em 2021, a adoção do novo modelo estava em curso para o 2º ano, e a previsão era que a reforma chegasse ao 3º ano e ao Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) em 2024.

O Novo Ensino Médio (NEM) propõe diversas mudanças significativas, incluindo a possibilidade de escolha de parte das disciplinas pelos alunos, o aumento da carga horária escolar de 2.400 para 3.000 horas e uma abordagem mais focada no mercado de trabalho em vez de um currículo que prepare exclusivamente para o ensino superior.


Confira abaixo os principais pontos da reforma do ensino médio que têm sido objeto de discussões:

Tempo das aulas e ensino a distância: A carga horária do ensino médio foi ampliada de 2.400 para no mínimo 3.000 horas, sendo que 60% da carga horária é destinada à formação geral básica e 40% para os itinerários formativos. 

No entanto, há um teto de 1.800 horas para a formação geral básica, o que é considerado "muito baixo" por alguns especialistas. 

Além disso, há uma preocupação com a possibilidade de que até 20% da carga horária do ensino médio e até 30% do ensino médio noturno possam ser realizados via ensino a distância, o que é visto como um risco para a precarização da educação.

Itinerários formativos: Os itinerários formativos foram projetados para dar mais flexibilidade ao currículo e aproximar o estudante de seus interesses. No entanto, há críticas quanto à redução do leque de disciplinas eletivas na rede pública de ensino, que pode estar relacionada à falta de condições materiais, como salas de aula e equipes docentes. 

Em algumas escolas estaduais de São Paulo, por exemplo, 22,1% das aulas dos itinerários do 1º semestre ainda não haviam sido atribuídas a nenhum professor. Há também críticas quanto às disciplinas eletivas como "Brigadeiro Gourmet", "Mundo Pet" e "Torne-se Um Milionário", que foram introduzidas nesses itinerários. 

Algumas pessoas consideram que essas disciplinas não contribuem para a formação acadêmica dos alunos.

Competências emocionais: A reforma do ensino médio introduziu as chamadas competências emocionais no currículo, como "Projeto de Vida". No entanto, há críticas quanto à falta de pensamento crítico nessas disciplinas, já que elas não abordam de forma crítica as novas formas de trabalho precarizado e uberizado.

Alguns especialistas defendem ajustes substanciais na reforma do ensino médio para garantir a qualidade da educação oferecida aos alunos. Outros, no entanto, defendem a revogação total da reforma para pensar um modelo que seja minimamente democrático e que não seja excludente.


Confira também mais sobre a Reforma no vídeo abaixo: