Crise de energia no Brasil: País vai ter um novo apagão?

O Brasil vive a maior crise energética dos últimos 20 anos. Você talvez ainda não sabe mas o país vive sérios riscos de apagões e de aumentos cada vez maiores na sua conta de luz. No meio disso tudo ainda corre no Congresso a privatização da Eletrobras, que também vai afetar o seu bolso. Confira sobre isso agora.  

Eletrobras salvou o país dos apagões 


O problema de energia no Brasil é antigo. Nos anos 50 as pessoas já sofriam com os apagões que ocorriam em diversas cidades do país. No Interior de alguns Estados então sequer existia energia elétrica. 

A situação mudou um pouco em 1954, quando o Presidente Getúlio Vargas enviou ao Congresso um projeto de lei que autorizava o governo a lançar uma estatal, chamada de Eletrobras. 

A criação era fundamental porque na ocasião o setor energético estava basicamente nas mãos do setor privado, em especial a americana Amforp e a canadense Light. Empresas que não faziam nenhum esforço para expandir a distribuição de energia e sequer davam conta da demanda já existente. 

Para a aprovação da Eletrobras, Vargas e seus apoiadores argumentavam não só a necessidade da população, como também mostrava como uma evolução do setor energético era determinante para a industrialização do país. O que nunca ocorreria com a visão seletiva das empresas privadas.  

No entanto, apesar da necessidade, a criação da Eletrobras demorou muito, exatamente por causa da pressão feita pelas empresas privadas Light e Amforp. O projeto só foi aprovado em 1961 e a empresa só passou a funcionar em 1962. 

Inclusive, na carta-testemunho deixada por Vargas antes do suicídio ele cita inclusive o movimento anti-Eletrobras.  

Mas em 1962, com João Goulart, a Eletrobras finalmente entra em ação e o que se viu foi uma grande expansão na capacidade instalada de geração elétrica, que saltou de 4,8 GigaWatt (GW) em 1960 para 33,5 GW em 1980.  

Uma nova grande expansão só voltaria a ocorrer entre 2000 e 2016, quando saltou de 73,6 GW para 150 GW.  

Esse novo crescimento também ocorreu devido a uma outra crise energética, durante o governo Fernando Henrique Cardoso.  

Em 2001 o país vinha de um longo tempo sem investir em geração e transmissão de energia elétrica. Isso somado com a falta de chuvas e a falta de planejamento do Governo fez com o nível de água nos reservatórios baixasse muito e o Brasil fosse obrigado a fazer um programa de racionamento de energia.  

Para isso foram criadas multas para quem não reduzisse o consumo de energia. Além da proibição de certos eventos a noite entre outras medidas que deixaram muitos brasileiros às escuras.  


Programa Luz para todos e mudanças 

De lá para cá muita coisa mudou. Entre 2003 e 2016 o Programa Luz para todos levou energia elétrica para 15,9 milhões de pessoas.  

No período o país investiu em outras fontes de energia, o que fez com que a dependência das hidrelétricas caísse de 90% para 60,5%. 

E principalmente por isso a situação hoje não é mais crítica. Isso e também a Pandemia, que restringiu alguns serviços e fez com que o consumo de energia fosse menor do que em uma situação normal.  

Mas de modo geral a situação é preocupante, pois a escassez de chuvas no país é a pior dos últimos 91 anos e tem feito com que os reservatórios de água das principais hidrelétricas sofram esvaziamento. O nível desses reservatórios hoje já estão no nível mais baixo desde a crise de 2001, mas ainda passaremos por meses de seca.  

O Governo até o momento ainda nega qualquer medida de racionamento, o que não dá para saber se é uma afirmação realmente segura com os fatos, ou simplesmente mais uma rodada de negacionismo e que pode gerar maiores transtornos no futuro.  

O que já é fato é que isso já tem um efeito no bolso. No final de maio, a Aneel anunciou o acionamento da bandeira vermelha patamar 2, com um acréscimo de R$ 6,24 para cada 100 kWh.  


Privatização da Eletrobrás 


Só que no meio disso tudo está a ganância pela privatização da Eletrobrás. Uma empresa que registrou lucro líquido de R$ 6,4 bilhões em 2020. 

Porém, pior do que a privatização, que por si só já vai encarecer as contas, a Medida Provisória que está em discussão que visa permitir a venda da estatal exige a contração de usinas termoelétricas a gás natural, que gera uma eletricidade dez vezes mais caras. 

Ou seja, pior do que do que não estarmos discutindo fontes alternativas de energia, para não ficarmos tão dependentes das chuvas, então voltando a um debate da década de 50, sobre a importância da Eletrobrás.    

Enquanto isso em meio a crise econômica é melhor preparar o bolso para aumentos na conta de luz agora e também nos próximos dois anos. 

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