Renovabr e outros grupos de “renovação política” são ameaças a Democracia

 Nos últimos anos tem que ocorrido um boom dos chamados grupos de renovação política. Você já ter ouvido falar de alguns deles por aí, como Renovabr, Raps, Acredito, entre outros. Porém, caso não saiba quem são, confira neste vídeo, pois falarei como atuam e os riscos para a democracia.  

Surgimento de grupos de renovação política 

 

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Atualmente existem muitos dos chamados grupos de renovação política. Você já ter visto Acredito, Agora, Livres, Raps, Muitas e RenovaBR, por exemplo.  

Eles surgem na onda das manifestações de 2013, quando organizadores diziam que os protestos eram apartidários. Só que o grande crescimento mesmo veio a partir de 2017, quando boa parte foi criada, como o RenovaBR, Movimento Acredito, Movimento Agora entre outros.

 

Mas porquê exatamente em 2017? Porque foi neste ano que o Congresso votou o fim do financiamento privado de campanha. A partir de então, as grandes empresas não poderiam mais investir em campanhas dos candidatos.  

Como não podem mais apoiar candidatos em troca de interesses, os grandes empresários então passaram a produzir os seus próprios candidatos, burlando assim a proibição através de uma espécie de partido clandestino. 

O empresário banca a existência de grupos como o Renovabr, financia uma preparação como uma escola de políticos, banca viagens e estruturas para que os mesmos cheguem mais fortes nas eleições.  


Quem financia a campanha 

 

Isso porque os empresários driblam fim de financiamento de campanhas com Organizações políticas. O Renova BR, por exemplo, recebe investimentos de Luciano Huck e foi criado por Eduardo Mufarej, ex-CEO da Tarpon Investimentos.  

A fundação Lemann recebe recursos de Jorge Paulo Lemann, o 2º mais rico do Brasil e a Raps, Fundado pelo empresário Guilherme Leal, um dos donos da Natura. 

Só que a grande questão é que não existe uma grande transparência a respeito de quem mantém esses grupos. Alguns deles até trazem umas listas de doadores, porém, sem trazer detalhes ao eleitor sobre quem são, quanto doam e como participam.  


A atuação dos grupos de renovação política 

 

Esses empresários bancam um sistema em que os alunos selecionados são treinados por 6 meses de diferentes áreas, sobre políticas públicas, técnicas de comunicação e liderança. 

Depois disso, eles espalham esses alunos em diferentes partidos com o discurso de serem um grupo suprapartidário, mas na hora da atuação, os políticos votam não de acordo com a orientação do partido ou a ideologia do partido, mas sim de acordo com o que defende o grupo político. 

Isso ficou visível, por exemplo, na reforma da previdência, quando oito dos nove deputados formados pelo Renovabr votaram contra a Reforma da Previdência. Os casos mais emblemáticos foram os de Tabata Amaral e Felipe Rigoni, que contrariam a recomendação dos partidos e mesmo sendo de esquerdas votaram junto da direita pela aprovação da reforma.  

Só que para piorar, ambos entraram e conseguiram no TSE o direito de saírem do PDT e PSB, respectivamente, sem perderem os cargos.  

A decisão do Tribunal é extremamente perigosa, pois você pode não saber, mas o posto no Congresso é do partido. É de acordo com o número de votos que os candidatos de um determinado partido somam que saberá serão 5, 6, 10 ou 20 deputados eleitos por esta sigla.  

Desta forma, Tabata e Rigoni receberam verbas do partido, usaram o tempo de televisão do partido, receberam pelo menos uma parcela de votos por serem do partido e foram eleitos com o coeficiente do partido, mas que depois de eleitos poderão sair para atuarem em um outro partido, mais alinhado a formação deste grupo de “renovação política”. É uma dupla traição, ao partido, mas principalmente ao eleitor. 

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Renovação política somente à direita 

 

Só que chama a atenção é que esses grupos se afirmam suprapartidários, sem uma ideologia definida e outras conversas fiadas, mas é simplesmente para manter uma manipulação e também enfraquecer os partidos por dentro. Se fingem de escolas políticas, para na verdade induzirem uma ideia única e de uma corrente política especifica, liberal e de direita, mesmo que os organizadores e financiadores não tenham coragem de assumir.  

Aliás, aqui vale um parênteses, duvide sempre de quem afirma não ter posição.  

O Renova, por exemplo, afirma que o aluno passa por um “teste de democracia” para barrar extremistas, sejam de esquerda e de direita, porém, em 2018 e 2019 aprovou a entrada de diversos filiados ao PSL, que abraçaram o bolsonarismo e compartilharam ataques a democracia.  

Além disso, em 2019, durante a formatura, um grupo de alunos usaram uma máscara de Lula e gritaram “Lula Livre” e “quem matou Marielle” e foram repreendidos por fundador do Renova Br EduardoMufarej, chamando o caso de equívoco e “falta de consideração” dos alunos. 

Um grave ataque a democracia. Você pode não gostar do Lula, mas é um direito seu, um direito democrático você ser um simpatizante de um ex-Presidente.  

Com isso, nesses grupos não há um espaço para um real debate de ideias. 

Eduardo Mufarej, por exemplo, idealizado do Renovabr, que atua investindo na educação privada apoiou financeiramente a campanha do então deputado estadual Ricardo Salles, do DEM. Salles que hoje é acusado pela atuação na pasta do Meio-Ambiente era líder do Movimento Endireita Brasil, alinhado as ideias do que hoje é o Bolsonarismo. Aliás, Mufarej inclusive declarou voto em Bolsonaro nas eleições 2018. O que indica um direcionamento para a direita desta Renovação Político, porém, novamente, sem coragem de ser assumida.  

Com isso, quando estes grupos falam que trabalham na esquerda e na direita, na verdade o que eles querem é transformar a esquerda em uma direita mais moderada apenas e usam do disfarce de ser um espaço de educação.  

 

Eleição 2020 

 

E o crescimento destes grupos nas eleições é assustador. Grupos como RenovaBR, Raps, Agora, Livres e Acredito elegeram 58 nomes nas eleições 2018, sendo 30 para o congresso.  

Já nas eleições 2020, colocaram candidatos em 29 dos 33 partidos brasileiros. 

Só o RenovaBR tinha 1032 ex-alunos candidatos aos cargos de prefeito e vereador, distribuídos em 398 cidades. Só para se ter uma noção é um número superior ao que cinco partidos lançaram de candidatos na mesma eleição. 

Grupos de renovação política atuam nas sombras 

E o grande risco disso tudo é que esses grupos atuam sem colocarem a cara. Eles até aparecem comemorando quando têm seus integrantes eleitos, porém, quando um deputado ou vereador vota de forma contrária ao povo, você só vai ver falarem mal do partido e raramente verá a crítica sendo direcionada ao Renova BR, Acredito ou qualquer outro grupo do tipo. 

Desta forma eles colhem os frutos e não lidam com nenhuma sequência negativa. Por exemplo, a capitã cloroquina, Mayra Pinheiro que divulgou notícias falsas sobre a Pandemia e que teve envolvida no colapso da falta de oxigênio em Manaus fez parte do programa do Renova BR. 

Ou seja, uma péssima atuação e que o Renova BR não sofrerá nenhum dano a imagem. Estará forte nas eleições 2022 como se nada tivesse acontecido. Além disso receberão dinheiro de empresários e investidores sem precisar prestar contas. Você não sabe quem está por trás financiamento a carreira desses novos políticos. 

E isso é extremamente preocupante porque esses grupos que afirmam ser a renovação política na verdade atuam na despolitização da população.  

Claro que nem todos possuem exatamente a mesma forma de atuação, mas sem nenhum controle, sem legislação ou regulamentação poderão fazer o que quiser, financiar, preparar e conduzir políticos sem que sejam responsabilizados por suas atuações. 

Por isso é um erro absurdo no país tirar a importância dos partidos. Claro que os partidos não são santos. A grande maioria coleciona erros terríveis, faz ligações completamente contrárias a origem e para piorar aceitam nomes sem identificação, como os dessas organizações.  

No entanto, ainda assim, são os partidos que todos os anos colocam a cara para serem avaliados. 

Não deixem te enganar. É fundamental que você procure um ou mais partidos que sejam alinhados ao que você acredita. Isso não significa que você tenha que fazer uma defesa cega deles, mas te dá uma direção.  

 

Domínio perigoso 

Até porque se esses grupos tivessem alguma intenção real de promover uma renovação política e estivessem interessados em oferecer uma alternativa para a população eles fariam parte do jogo político como devem ser, registrando como partido e participando das eleições corretamente e não nas sombras. 

Nós ficamos sempre falando da bancada da bíblia, do agronegócio e tantas outras, mas esses grupos políticos são ainda mais perigosos. Isso porque os políticos da bancada da bíblia são declaradamente ligados a Igreja, isso não fica escondido em nenhum momento. O eleitor sabe exatamente o que ele vai fazer, diferentemente dos candidatos desses grupos. 

Além disso esse crescimento forma uma base perigosa. Desde 2018 especula-se, por exemplo, a entrada de Luciano Huck na política como candidato a Presidência. Por mais que seja improvável que isso ocorra em 2022, mas que seja em 2026 ou 2030, Huck entraria já com uma bancada de apoio grande, pois ele ajudou a financiar o desenvolvimento político desses nomes. É quase como uma compra de bancada antes de chegar ao poder. 

Grupos políticos x Movimentos sociais 

 

Só que não são apenas os partidos que sofrem com essa situação. Há um risco grande de movimentos sociais serem sufocados na participação política. Isso porque os líderes terão que sem recursos competir com esses estudantes de política que receberam ao longo de todo processo fortes investimentos de empresários. 

Afinal, a participação desses grupos faz com que os integrantes tenham maior acesso ao círculo de empresários dispostos a investir em campanhas. Na campanha de Tabata Amaral, por exemplo, 20% do arrecadado veio de empresários que participaram de jantares organizados por apoiadores do grupo. 

Com isso, o que vemos é que a renovação política ocorre práticas bem similares as da velha política, atuando nas sombras, financiamento políticos para aprovação de interesses dos mais ricos. 


Perguntas frequentes

O que é o Renovabr? O Raps? O Acredito?

São grupos que se dizem suprapartidários e que atuam como uma espécie de educação política, porém, preparando candidatos para atuarem de acordo com as ideologias que os líderes do grupo acreditam, embora não assumam publicamente. 

 Renovabr é de direita?

Embora não assumam publicamente, as lideranças do Renovabr possuem um histórico de apoiarem apenas candidatos de direita e propostas defendidas pela direita.

Quem financia o Renovabr?

É mais uma questão que não é divulgada, embora sabe-se que Luciano Huck é um dos incentivadores.

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