Saiba o que foi o Plano Cohen

O Brasil é recheado de golpes na política. Porém, quem tem força realmente para dar golpe não fica todo dia falando que vai dar um, nem mandando indiretas. Quem sabe que consegue fazer aparece com um documento forjado e já estende o próprio mandato. Foi assim em 1937, quando Getúlio Vargas apresentou o Plano Cohen. História que você vai saber agora.




O medo do comunismo acompanha o Brasil quase desde que este país virou República. A justificativa de políticos de que eles precisam ganhar para evitar que se instale o comunismo no Brasil foi gritado em 2018, em 2002, em 1989, em 1964 e também em 1937.

Aliás, podemos dizer que 1937 trouxe a receita para golpes na população utilizando este tema. Sendo que se hoje a grande maioria da população sequer sabe exatamente o que é o comunismo, na década de 30 então isso era como falar de um fantasma desconhecido.

As divisões políticas


Mas antes de chegar ao Plano Cohen, é preciso trazer todo o contexto político. Quando surge a República, os partidos que aparecem não representam exatamente nenhuma ideologia especifica. Tanto que os principais partidos eram chamados de Partido Republicano e o nome era completado com a região. Como Partido Republicano Fluminense, Partido Republicano Mineiro, Partido Republicano Paulista, com poucas exceções.

E neste contexto surgem primeiramente o Partido Comunista Brasileiro, mas em seguida aparecem e até com mais alcance popular a Aliança Nacional Libertadora, que era uma frente com objetivo de combater o fascismo e o imperialismo, portanto, um partido à esquerda e a ação Integralista Brasileira, um grupo de extrema-direita com inspiração no fascismo italiano.

E em 1935, quando Getúlio havia conseguido se manter no poder de forma indireta, Luis Carlos Prestes liderou um plano que ficou conhecido pejorativamente como Intentona Comunista. Que eram levantes militares contra o Governo. Vale destacar que o Golpe de 30 dado por militares e que levou Vargas ao poder surge exatamente com a Coluna Prestes. Que foi um movimento político-militar que percorria ao Brasil contra o governo de Artur Bernardes e que tinha como objetivo acabar com a miséria no país.

Mas o fato é que ocorre o levante em Natal, que chega a ter sucesso em um primeiro momento, diferentemente do Recife e Rio de janeiro, que foram mais rapidamente sufocadas. Trata-se de um movimento que surge em novembro de 1935 e é totalmente derrotado ainda em maio de 1936.

Foi algo que jamais representou uma ameaça de fato ao governo Vargas, mas dava brecha para que fosse utilizado como desculpa no ano seguinte o temor para que um grupo comunista tomasse o poder.

Vargas queria mais poder


O fato é que em 30 de setembro de 1937, Getúlio Vargas, que já havia conseguido dar um golpe em 1930 e convencido o parlamento em 1934 a seguir no cargo quando foi elaborado a Constituição, estava prestes a deixar o posto.

Haviam eleições marcadas para 3 de janeiro de 1938, portanto, faltando pouco mais de três meses. Até então, a disputa envolveria Armando de Sales Oliveira, da União Democrática Brasileira, Plínio Salgado, da ação Integralista Brasileira e José Américo de Almeida, um candidato do governo.

Só que Getúlio Vargas definitivamente não queria deixar o cargo.

Plano Cohen


Então em 30 de setembro de 1937, o chefe do Estado-Maior do Brasil, o general Goes Monteiro, anunciou no programa de rádio Hora do Brasil, que foi descoberto um plano com objetivo de tirar Vargas do poder. O plano era batizado de “Plano Cohen” e que havia sido arquitetado pelo Partido Comunista Brasileiro junto de organizações comunistas internacionais.

Segundo o General, o plano trazia projetos para eliminar chefes militares, agitar operários e estudantes, liberar presos políticos, além de incendiar prédios, saquear e depredar. O documento ainda trazia planos de sequestrar ministros do Estado e Presidentes do STF, da Câmara e do Senado.

Ação de Vargas


Logo no dia seguinte após o pronunciamento do General, Vargas solicitou ao Congresso a decretação do Estado de Guerra, o que dava mais poderes a Getúlio, seguindo a Constituição.

Porém, isso era pouco para Getúlio, que já conspirava com militares e outras lideranças pelo país e com isso em 10 de novembro determinou o exército cercasse o Congresso Nacional. Além disso estabeleceu uma nova Constituição, dando inicio ao que ficou conhecido como Estado Novo.

Nesta nova carta Getúlio tinha ainda mais poderes, como por exemplo o de suspender a imunidade de parlamentares, autorizar a invasão de domicílios, a prisão e o exílio de opositores. Todos os partidos políticos também estavam eliminados.

E Vargas então tinha carta branca para fazer o que quisesse com o Brasil.

A revelação


Mas se todo o carnaval tem seu fim, todo o golpe também tem. Vargas que havia flertado com Hitler acabou entrando na Guerra do lado dos Estados Unidos e com a vitória dos aliados, ficava difícil manter um regime autoritário exatamente após os governos autoritários terem sido derrotados.

Isso soma-se a pressão interna. Aliás, somente próximo do fim do Estado Novo que a farsa foi revelada. Afinal, é só quando o barco começa a afundar que os ratos começam a abandonar. E foi o que fez o General Góes Monteiro.

O documento havia sido escrito pelo capitão Olímpio Mourão Filho, que era chefe do Serviço Secreto da Ação Integralista, ou seja, um golpe costurado pela extrema direita.

Para dar mais credibilidade a farsa eles batizaram de Plano Cohen em uma referência ao comunista Bela Cohen.

Conflito


Só que após a revelação começou o jogo de empurra-empurra da responsabilidade. O General Góes afirmou que o documento batizado de Plano Cohen havia sido entregue pelo capitão Olímpio Mourão.

O capitão, por sua vez, assumia que havia escrito o plano, porém, que era para ser usado internamente entre os integrantes da Ação Integralista Brasileira, mas que o General se apropriado do documento e utilizado de forma indevida. Porém, como capitão está abaixo de general na hierarquia militar ele não poderia denunciar Góes publicamente.

Mas o fato é que Vargas então convoca as eleições para 1945


Pontos em comum


O que você observa neste golpe e em todos que ocorreram no Brasil é que estes ocorrem sempre conduzidos por uma extrema-direita que tem dificuldades de conseguir apoio popular, se aliam a pessoas com sede de poder, mas o principal é que sempre escolhem desprezar a escolha do povo.

Nenhum político que defende um golpe em um regime democrático pode ser respeitado. Se o interesse é de fazer o melhor para o povo é o povo que tem escolher. Qualquer coisa diferente disso é apenas atuar em prol de interesses próprios.

Só que o mais importante de tudo é que o Brasil definitivamente precisa punir os golpistas. Desde o senador chorão que não aceita o resultado até o que exalta a tortura. Isso porque o mesmo Mourão que participou do golpe do Plano Cohen, estava depois comandando as tropas para o golpe de 1964.

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