Os riscos do voto impresso e a verdade da urna eletrônica

 Nos últimos anos tem se discutido muito sobre o voto impresso e a segurança da urna eletrônica nas eleições. Atualmente existe até um debate dentro do congresso sobre o tema. Saiba mais sobre isso e os riscos envolvidos neste projeto. 

Primeiramente é preciso desfazer uma certa desinformação que corre. No momento o que se discute no Congresso a respeito do voto impresso não é para que o Brasil volte a votar no papel. O retrocesso ainda não é tão grande assim. Mas ainda assim existem riscos a respeito disso, como falaremos aqui. 

PEC do voto impresso

Só que neste momento, a Câmara dos Deputados tem uma comissão especial para discutir uma proposta de Emenda à Constituição obrigando a impressão de votos em eleições. Nesta ideia, os votos serão feitos na urna eletrônica normalmente e depois este voto será impresso e enviado automaticamente para um recipiente lacrado e transparente para que em tese o eleitor possa visualizar os votos. 

Portanto, até aqui ao menos em forma de lei não se discute a ideia de que o eleitor volte para casa com um comprovante de quem ele votou, ao contrário do que algumas pessoas que defendem o voto impresso acreditam. E que seria extremamente mais perigoso. 

No entanto, primeiramente precisamos ficar atentos que esta é uma ideia inicial e que está em discussão. Ou seja, isso pode mudar, com inclusive a possibilidade da inclusão do voto em papel.

Riscos do voto impresso

De qualquer jeito, mesmo com comprovante ou não, isso aqui levanta o primeiro grande risco. Hoje no Brasil temos diversos regiões dominadas seja por milicianos, traficantes, velhos coronéis e muitos outros grupos. Ou seja, com o voto impresso voltaremos a correr o risco do voto de cabresto, que ainda existe, porém, as pessoas já aprenderam a confiar que a urna eletrônica não vai revelar o seu voto.  

Com uma mudança com o voto impresso, principalmente em um país recheado de fake News, correntes de whatsapp e tudo mais, é fato que estes grupos que dominam regiões espalharão o medo de que eles terão acesso a este documento impresso e com isso ameaçarão mais pessoas.  

Só que além do campo da ameaça, vai existir sim o risco de se descobrir o voto de alguém, como um eventual problema na impressora ou até mesmo pelo sequenciamento das cédulas. Ou seja, é uma medida que coloca em risco o sigilo do voto. 

Além disso, não há nenhuma comprovação de que a impressão trará a segurança que alegam, afinal, tanto a impressão, quanto o envio de dados com o voto seguirão feitos por dispositivos eletrônicos. 

E ainda tem o fato de com o voto no papel ou a conferência desses possíveis comprovantes de papel existe a possibilidade maior de falsificação do resultado, pois a verificação desses votos teriam que ser feitos manualmente. E, portanto, trazendo maior possibilidade da substituição de votos nulos por de algum candidato especificamente.  

Um outro ponto negativo para a medida está no custo. O Brasil teria que gastar cerca de R$ 2,5 bilhões para comprar novas urnas para atender todo o território nacional.  

Mas o curioso é que os principais defensores pelo voto impresso são exatamente políticos que hoje estão no poder. Ou seja, eles alegam que a mesma urna eletrônica que apontou a vitória deles como alvo de manipulação. Talvez o objetivo disso tudo seja o medo de perder agora diante de um péssimo trabalho e com isso tudo o que desejam é levantar uma desculpa para que seus apoiadores conspiradores embarquem nesta onda e criem o mesmo caos que foi feito na eleição dos Estados Unidos, que por sinal, em boa parte foi feita com voto de papel. 

Urna eletrônica é confiável

O que podemos dizer disso tudo, sem teoria da conspiração, é que a urna eletrônica é sim confiável. Não dá para ficar arranjando desculpas nas derrotas. Não há nenhum registro até hoje em 25 anos de uso das urnas eletrônicas de qualquer tipo de irregularidade.  

E isso acontece porque é dificílimo qualquer tipo de manipulação. Porque ao contrário do que a maioria das pessoas pensam, as urnas não são conectadas à internet e também não ligadas uma ou outra.  

Desta forma, mesmo que alguém conseguisse adulterar alguma coisa, teria que fazer em todas as urnas, pois invadindo somente uma sequer poderiam alterar as outras da mesma zona eleitoral. 

Só que o mais importante, testes públicos feitos mostraram que ninguém conseguiu violar o código-fonte da urna. 

Além disso, as urnas não são conectadas uma as outras. Desta forma, mesmo que alguém conseguisse hackear uma, só poderia modificar os votos daquela urna e não das demais espalhadas pelo Brasil. E todas as fases do desenvolvimento dos sistemas adotados nas urnas são feitas pelo tribunal superior eleitoral, ou seja, independente do Governo. Além disso, todas as etapas são acompanhadas pelo Ministério Público, por todos os partidos políticos, a OAB, a polícia federal, o Congresso Nacional e outros órgãos interessados. 

Além disso, os resultados podem sim serem auditados. Existem os boletins das urnas, que são impressos com a soma dos votos de cada candidato em cada urna e são entregues aos representantes dos partidos e fixados também nas seções eleitorais. As urnas também possuem uma “Caixa preta”, que registra todas as atividades. Isso tudo pode ser consultado também pelo site do TSE. 

E para quem tem a famosa síndrome de vira-lata, a urna eletrônica não é utilizada somente aqui como alegam. Ela é usada em mais de 40 países, entre eles estão Canadá, Índia e França, além de 15 Estados dos Estados Unidos. 

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