Entenda o "tratoraço" de Bolsonaro

Em 2018 os defensores de Bolsonaro falavam que poderiam chama-lo de burro, ignorante, incompetente, despreparado, racista, machista, homofóbico, fascista, desumano, preconceituoso, mas não podiam chama-lo de corrupto. Desde então surgiram casos de laranjas no partido, esquemas de fake News, rachadinhas dos filhos, mansão do filho, cheques do Queiroz para a 1ª dama, uso de verbas de combustível, de auxílio moradia, e agora chegamos ao tratoraço ou bolsolão. Uma esquema de compra de centrão, que custou 3 bilhões dos cofres públicos, que davam para comprar cerca de 50 milhões de vacinas da pfizer que ele recusou no ano passado. História que você vai saber mais agora. 

No ano passado, Jair Bolsonaro recusou uma proposta para compra de vacinas da Pfizer e que teria salvo muitos brasileiros. A justificativa para a recusa ainda não foi dada, mas uma reportagem do Estadão parece dar uma dica do motivo. Segundo o jornal, Bolsonaro criou um orçamento paralelo de R$ 3 bilhões em emendas para conquistar base de apoio no Congresso.

Até aí não há muita surpresa. A liberação de verbas altas para emendas às vésperas da eleição da Presidência da Câmara que garantiram a eleição de Arthur Lira, escolhido de Bolsonaro, já eram conhecidas.

Porém, embora seja uma prática condenável ainda mais em uma Pandemia em que auxílio emergencial havia sido reduzido, só a liberação de verbas para emendas não configuraria crime.

No entanto, o que o Estadão trouxe agora nesta reportagem configura grave crime e inclusive um caso de corrupção. Aquela mesmo que os apoiadores de Bolsonaro alegaram como razão para votar nele.

Isso porque boa parte destas emendas foram para compra de tratores e equipamentos agrícolas com preços até 259% acima dos valores de referência.

O esquema foi descoberto dentro de um conjunto de 101 ofícios enviados por deputados e senadores ao Ministério do Desenvolvimento Regional.

Desde o ano passado, deputados e senadores que apoiam o governo passam por cima de leis orçamentárias e obtêm recursos direto do Ministério e direciona para seus redutos. Funcionando, portanto, como uma moeda de troca. A apuração indica um orçamento paralelo de R$ 3 bilhões no Ministério do Desenvolvimento Regional em troca deste apoio e que são destinados a 258 parlamentares.

Deputados recebem milhões

Entre essas movimentações, o governo aceitou pagar R$ 359 mil num trator a pedido de Lúcio Mosquini (MDB-RO), enquanto em condições normais o máximo a ser liberado seria R$ 100 mil.

O então Presidente do Senado, Davi Alcolumbre foi contemplado em R$ 277 milhões. Algo que viola completamente qualquer tipo de legalidade, pois hoje o máximo de verba para emendas é de R$ 16 milhões, porém, metade tem que ser para a saúde. Ou seja, Alcolumbre sozinho recebeu uma quantia para mais de 30 anos de mandato.

Lembrando que Alcolumbre é do DEM, partido que mudou na última hora da votação da Presidência da Câmara e teve muitos deputados votando em Lira, candidato de Bolsonaro.

Mas ele não está sozinho, Ciro Nogueira (PP), que é um dos defensores de Bolsonaro na CPI da Pandemia, teve direito a R$ 135 milhões. Fernando Bezerra (MDB) 125 milhões e o presidente da Câmara, Arthur Lira, R$ 114 milhões.

No esquema, são definidos os valores que cada parlamentar aliado tem direito. Depois, o parlamentar decide a forma do repasse e aqui o caminho preferido tem sido o repasse para a Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e Parnaíba, a Codevasf, que atualmente é controlada pelo Centrão. Lá, os repasses chegam mais rapidamente e tem regras menos restritivas de licitação.

Este tipo de distribuição dificulta o controle do Tribunal de Contas da União e também da sociedade.

Com isso, além das compras superfaturadas que obviamente tem como finalidades desvios, os parlamentares do Bolsolão ganham verbas para seus redutos eleitores, facilitando na reeleição. Podendo posar com obras, tratores e tudo mais que caibam cartaz.

Governo dá desculpas sobre o "Tratoraço"

Para tentar contestar, o Governo então trouxe diversas desculpas para o caso. Uma delas é de que os preços bases estavam defasados e por isso a compra acima do preço, porém, o Estadão encontrou compras respeitando o preço de referência.

A outra tentativa foi de apresentar senadores do PDT e do PT, que também teriam recebido a verba. No entanto, os quatro parlamentares de oposição só haviam indicado obras necessárias e que a verba na verdade foi para Alcolumbre.

Desta forma, fica cada vez mais difícil sustentar uma razão para que ainda se cogite votar em Bolsonaro.

Postar um comentário

0 Comentários