A imprensa é cúmplice do bolsonarismo e indica repetir aposta

O Brasil acumula quase 500 mil mortes nesta Pandemia, o maior desemprego da história, com 14,7% das pessoas sem trabalho e uma inflação superior a 20% nos preços dos alimentos da cesta básica nos últimos meses. Porém, nada isso parece fazer com que a imprensa largue o bolsonarismo, apesar de algumas críticas esporádicas. E é o que vamos falar neste episódio.

Imprensa x Bolsonaro

Uma parcela da população ao ouvir que a imprensa apoia o bolsonarismo pode até achar estranho, afinal, constantemente Bolsonaro critica veículos, ofende jornalistas e incentiva o ataque da base de apoio contra a imprensa.

Só que isso acontece por uma questão estratégica. Bolsonaro sabe que para o eleitorado dele a narrativa de perseguição vai funcionar e todos duvidaram dos problemas divulgados pelos veículos.

Além disso, Bolsonaro sabe também que ele não é o candidato dos sonhos dos grandes empresários, incluindo os donos dos veículos de imprensa, que sonham com um nome da chamada direita mais moderada, que hoje chamam de centro.

Porém, que não conseguiram criar em 2018 e preferiram embarcar em Bolsonaro como uma chance de evitar o retorno da esquerda.

Atuação da imprensa blinda Bolsonaro

E isso ficou mais uma vez claro na forma que os veículos trataram os protestos deste sábado 29/05.

A Record, por exemplo, teve a audácia de no portal de notícias de dizer que as manifestações tinham como objetivo a prorrogação do salário mínimo. Ignorando os pedidos por vacina, as críticas ao Governo pela condução na economia e os pedidos de impeachment.

Só que a postura não foi a única. O Estadão preferiu trazer em destaque no jornal a Manchete de que Cidades turísticas se reinventam para atrair o home office. Reservando um micro espaço para citar as manifestações, sem sequer colocar uma imagem na capa.

A vergonha foi compartilhada pelo O Globo, que trouxe como destaque que o PIB reaquece e também colocou um espaço pequeno para citar os protestos, também sem imagem.

O Grupo Globo também praticamente ignorou as manifestações na cobertura na TV aberta e através da Globo News, apresentando trechos curtos dentro dos jornais. Situação bem diferente do que fizeram nas manifestações pelo impeachment de Dilma em 2015, quando divulgavam quase que como uma convocação dias antes e davam amplo destaque nos jornais e na Globo News, que chegava a fazer uma cobertura completa ao vivo dos protestos.

Atuação antiga da Imprensa

E esta postura da Imprensa é antiga. Você certamente já ouviu falar de como a Globo alterou o debate de 89 para favorecer Collor contra Lula.

Mas não precisamos ir tão longe assim. O último ciclo eleitoral foi uma atuação constrangedora. Além de incentivar as manifestações, os veículos optaram por não explicarem como o impeachment de Dilma por pedaladas fiscais era uma grande armação política, que não se tratava de crime de corrupção e que todos os Presidentes, acima como a grande maioria dos governadores já haviam praticado.

Assim como também preferiu elevar Sergio Moro ao posto de herói e ignorar uma narrativa de que ele adotava práticas ilegais na Operação Lava Jato e que hoje finalmente foi desmascarada.

Condutas que a Imprensa tinha acesso, como documentos que indicavam a inocência de Lula no caso Triplex que não foi mostrado, o grampo ilegal pedido por Moro contra os advogados de Lula e também o de Lula com Dilma após a ordem de suspensão de grampo.

A imprensa ignorou diversos indícios de irregularidade e até mesmo a participação dos Estados Unidos na Lava Jato e bombardeou o noticiário com acusações a Lula, mesmo quando nem mesmo os procuradores conseguiram apresentar uma prova sequer de que o ex-Presidente tenha recebido o Triplex, e nem qualquer ligação do Triplex a algum caso de corrupção.

Isso são fatos, não é uma defesa se ele é inocente ou não. O julgamento cabe a um juiz realmente imparcial. A função da imprensa é apresentar os fatos, seja eles positivos para um lado ou para o outro.

E esta situação dura até os dias de hoje. Mesmo com o STF confirmando a imparcialidade de Moro e as condutas irregulares, ainda assim, Globo, Record, SBT, Folha, Estadão e tantos outros veículos tratam isso de forma rápida e superficial, quando estamos falando do maior tribunal de justiça do país apontando que o juiz foi parcial contra o líder das pesquisas para as eleições 2018 e que levou um ex-Presidente para a cadeia.

Só que não basta ignorar isso, esses veículos seguem inclusive negando espaço para o campo democrático. Nas eleições 2018, quando Bolsonaro recusou ir nos debates mesmo já tendo autorização médica, todos os canais decidiram por não dar espaço para Haddad falar.

A história se repete hoje. Mesmo passados meses da decisão que considerou Moro suspeito e da recuperação dos direitos políticos de Lula, nenhum desses principais veículos entrevistou Lula.

No episódio que Moro foi declarado suspeito, o Jornal Nacional, por exemplo, decidiu ler na íntegra uma nota do ex-juiz, ou seja, de quem estava errado, enquanto de Lula colocou apenas declarações soltas dos advogados do ex-Presidente.

A vergonha fica ainda maior porque até hoje nenhum desses grandes veículos investigam ou publicam as armações por trás da Lava Jato, coisas que jornais estrangeiros já fazem, como você vê na reportagem do francês Le Monde.

Além disso, Lula já falou sobre a perseguição e também sobre a condução do país na Pandemia para veículos dos Estados Unidos, Alemanha, França, Alemanha e muitos outros, enquanto os veículos brasileiros tentam desesperadamente escondê-lo.

Imprensa busca terceira via

E o objetivo de tentar esconder Lula tem uma razão. Os proprietários dos veículos e também alguns jornalistas de economia apostam todas as fichas no crescimento de uma terceira via, que não aparece de jeito nenhum, com todos patinando e não conseguindo chegar a 10%.

A Globo e o Jornal Nacional, por exemplo, inclusive decidiram por esconder a pesquisa de Datafolha deste mês de maio que trouxe Lula com 41% das intenções de voto contra 23% de Bolsonaro e 24% dos votos de todos os outros candidatos, sendo que o melhor da terceira via tinha apenas 7% que era Sergio Moro, seguido de Ciro Gomes, com 6%.

Ainda assim a insistência deve demorar. Nas eleições de 2020 chegava a ser constrangedor a insistência em dizer que o PT havia perdido muito e ignorando que o PSDB sofre para se manter fora de São Paulo. Assim como também insistiam em uma força do DEM. Dois partidos que até agora sequer conseguem indicar um candidato, pois nenhum apresenta uma força expressiva.

Porém, ao que parece, a imprensa vai insistir nessa tese. Talvez o Estadão em breve solte um novo editorial falando em uma escolha difícil, entre Bolsonaro e o PT, como fez em 2018. Uma escolha que tem custado vidas.

Apostando alto com a sua vida e nos colocando no risco de vermos Bolsonaro por mais quatro anos conduzindo desastrosamente o nosso país.

Importância da Imprensa

O objetivo deste episódio não é atacar a imprensa, mas é lamentável que em meio ao caos que esses veículos ajudaram a nos colocar, os veículos ainda se coloquem nesta posição. Aguardando uma terceira via, ainda a direita, enquanto a população sofre.

E isso é trágico porque a imprensa é extremamente importante. Algumas pessoas ainda não têm acesso ou conhecem a fundo portais de notícias independentes e ficam reféns dos veículos mais tradicionais. Que por enquanto ainda não tratam a informação com prioridade. Situação que só incentiva o crescimento de redes de fake News.

 

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