A busca por terceira via nas eleições 2022

As eleições só acontecem em outubro de 2022, mas o grande foco é a disputa da Presidência. No momento hoje apesar de terem tamanhos diferentes estamos divididos em quatro grupos. O primeiro quer deixar tudo como está e reeleger Bolsonaro. O segundo está cheio de esperanças no retorno de Lula, mas que isso não ocorrer votariam no Haddad. O terceiro é o eleitor que escolheu Ciro Gomes em 2018 e o entende como a melhor opção para 2022. E o quarto, que conta com muitas pessoas do terceiro grupo, mas que está em uma busca por um nome, pelo o que eles chamam de terceira via. No entanto, estes dois últimos separados não possuem condições de chegar ao segundo turno, exatamente por isso que eles acabam se misturando no debate político.

E daí utilizam de todos os nomes possíveis, frente ampla, frente democrática, uma opção contra a polarização entre outros. E aqui aparecem candidatos de todos os tipos, desde aqueles que participaram deste governo de extrema-direita como Moro e Mandetta, até eleitores como Doria, Luciano Huck e Eduardo Leite. Ou outros consideram Ciro Gomes o nome desta frente.

Uma situação que pode ser compreendida devido a falta de representatividade hoje. De fato poucos partidos hoje possuem bandeiras bem claras, uma identidade. O PSDB e o DEM, por exemplo, que se colocam como terceira via votaram junto com os interesses de Bolsonaro em mais de 90% das decisões.

Ou seja, PSDB e DEM podem até ter oferecer mais uma estrada mais arrumadinha que Bolsonaro, mas definitivamente levam para o mesmo lugar.

E é neste ponto que é preocupante esta busca desesperada por terceira via. Os eleitores estão por aí procurando tanto um nome que estão esquecendo de considerar qual a proposta de Brasil que elas querem.

Porque se não é um governo a lá Bolsonaro que elas querem, não podem aceitar um governo parecido. E isso só acontece quando pararem de discutir nomes e sim as propostas.

Isso acontece claro muito porque se criou no país uma onda de desinteresse político, uma ideia de que não se pode ter partido. Tem gente que acha que é até bonito dizer que não é de esquerda e nem de direita. Que é de centro, que é para frente e que é Brasil.

Pensamentos assim definitivamente não nos tirarão do lugar. Teremos alguns acertos nas urnas e outros erros monstruosos.

Porque é preciso se discutir ideias. Antes de você procurar um nome para votar você precisa primeiro definir o que você quer. Você é a favor de políticas de distribuição de renda como o Bolsa família? É favor de programas sociais como Fies, Minha casa Minha vida e Prouni? É a favor de taxar bilionários? De leis que garantam mais proteção aos trabalhadores? Que o combate a desigualdade social seja prioridade ou você acredita que o Estado tem que participar menos de tudo isso e deixar que o tal livre mercado decida sobre estes e outros pontos da economia do país?

São essas perguntas, que são simples, que você tem que fazer. E depois de ter as respostas aí sim escolher entre os candidatos em quem você vai votar, por ele apresentar propostas compatíveis com o que você defende.

Quanto mais rápido o brasileiro entender que precisa ter lado sim, precisa se colocar como esquerda ou direita, precisa se identificar com um ou dois partidos, menos veremos candidatos trazendo fake News para decidir uma eleição. Porque para o eleitor mais importante do que ouvir sobre o adversário vai ser saber qual a proposta do candidato. Quando isso ocorrer jamais veremos uma eleição ser decidida com um dos concorrentes fugindo dos debates.

E quando eu falo que é preciso ter lado, não é que você não possa flexibilizar. Ser de esquerda e eventualmente defender uma pauta diferente. Mas de ter um posicionamento base de que Brasil você quer.

Com isso, as pessoas podem e devem buscar uma terceira via se não se sentem representadas com Bolsonaro ou Lula, mas precisam fazer isso de forma consciente e não simplesmente escolherem o nome mais forte para concorrer com eles, sem saber o que pode sair dali. 

Como disse, às vezes tem uma versão discreta do Bolsonaro se aproveitando disso para chegarem ao poder como uma alternativa sem ser. 


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