Jornal Francês chama Lava Jato de armadilha para o Brasil

Le Monde publicou longo texto afirmando que a Lava Jato teve influência dos Estados Unidos em conexão com Moro 


Para quem está mais alinhado à esquerda ou tem um pingo de zelo com a democracia sempre soube que a Lava Jato foi uma grande armação política, com o único foco de tirar o PT do poder e enfraquecer o partido. Semanas após semanas isso fica cada vez mais evidente de acordo com as novas informações que são descobertas. Neste domingo (11/04) foi a vez do jornal Francês mostrar a influência dos Estados Unidos em toda a conspiração envolvendo o Moro e os procuradores. Abaixo você vai conferir toda a reportagem, que você também poder ler aqui em francês

Conspiração EUA e Lava Jato


Grande mídia tenta proteger Lava Jato 


Esta reportagem é mais uma grande vergonha para a grande mídia brasileira. Isso porque enquanto cada vez mais jornais estrangeiros estão abordando esta conspiração, os principais veículos do país como Globo, Folha de São Paulo e Estadão ainda tentam abafar e proteger o ex-juiz Sergio Moro e os procuradores da Lava Jato. A emissora de TV inclusive sequer tem mostrado as conversas divulgadas na Operação Spoofing, que deixa escancarado o esquema político da Lava Jato, que pode já ter se tornado o maior escândalo judiciário do mundo. 

Lava Jato x Lula 


Embora a segunda turma do STF tenha declarado Sergio Moro suspeito no caso do Triplex, o embate entre a Lava Jato x Lula ainda não acabou. Isso porque a decisão não foi estendida ao caso do Sítio em Atibaia. Desta forma, o ex-Presidente ainda vai precisar que a decisão de Fachin, que considerou o Foro de Curitiba ilegal para o julgamento dos casos do Lula, seja confirmada no plenário, para que o ex-Presidente mantenha os direitos políticos e possa se candidatar em 2022. 


A reportagem do Le Monde sobre a Lava Jato. 


A longa reportagem foi feita pelos jornalistas Nicolas Bourcier e Gaspard Estrada e traz em destaque que “Um magistrado julgado ‘tendencioso’, uma equipe de promotores cujos métodos às vezes eram ilegais, a intervenção dos Estados Unidos e, por fim, um escândalo retumbante: ‘Lava Jato’ serviu a muitos interesses, mas não à democracia. O jornal também apontou que foram necessários meses de investigação, entrevistas e pesquisas para fechar o material. 

O Le Monde mostrou como o país inteiro está sendo atingido por uma série de crises simultâneas, uma espécie de tempestade perfeita - recessão econômica, desastres ambientais, polarização política extrema, Covid-19 e agora mergulhado em um naufrágio do sistema judicial. 

Um cenário diferente do de 17 de março de 2014, quando o juiz Sérgio Moro lançou a operação Lava Jato, que envolvia a gigante Petrobras, construtoras e lideranças políticas. Junto de uma equipe de promotores e apoiados pela mídia, eles lançaram números elevados de prisões, acusações e condenações, incluindo a do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Além de se orgulharem de terem recuperado 4,3 bilhões de reais para os cofres públicos. 

Tudo o que hoje tem se mostrado cada vez mais nebuloso, chegando ao ponto de Moro ser considerado tendencioso no julgamento do ex-Presidente Lula. 

Irregularidades e confusões 


O Le Monde apontou como a “a maior investigação anticorrupção do Mundo” a Lava Jato tem se tornado o “maior escândalo judicial da história do país”. Tudo tendo inciado após a série de reportagens de Gleen Greewald e o site de notícias The Intercept. No qual foram vistas mensagens comprometedoras trocadas entre os promotores e o juiz Moro, mostrando um serviço em conjunto, o que é totalmente ilegal. 

A reportagem mostra como o caso começa na verdade muito tempo antes, em 2003, quando Lula ao assumir o Governo coloca Thomaz Bastos para reformular o sistema judiciário. Paralelo a isso, os Estados Unidos estavam expandindo políticas de cooperação judiciária internacional por conta dos atentados em 11 de setembro de 2001. 

Nesse período, Moro estava com o caso Banestado e colaborava ativamente com as autoridades dos Estados Unidos. Ele é então convidado para participar do Programa de Visitantes Internacionais do Departamento de Estado. A viagem ocorre em 2007, quando ele faz uma uma série de contatos dentro do FBI, do DoJ e do Departamento de Estado. 

Em dois anos, a embaixada dos Estados Unidos em Brasília construiu uma rede de juízes e promotores convencidos da relevância de usar nossas técnicas. 

Foram mais diversos encontros e conferências ao longo do tempo até que em 2013, é que começa a Lava Jato, surgindo entre Dunel Indústria, com sede no Paraná, e o posto, por onde transitam grandes somas de dinheiro, inclusive para alguns executivos da Petrobras. 

Neste momento, Sergio Moro reivindica a competência sobre o caso, embora a maior parte dos atos de lavagem de dinheiro e corrupção de Chater e Youssef tenham ocorrido em São Paulo e, portanto, teria que ir para o juiz de lá. Porém, ocultando a localização dessas empresas, ele consegue o controle da investigação. 

Seduzindo o público 


Após seis meses de investigação, Sergio Moro começa a expedir os primeiros mandados de prisão. Isso acaba sendo decisivo, pois na ocasião, o promotor Pedro Soares, que era encarregado da Operação defendia que o caso não deveria ser julgado em Curitiba, mas e sim em outro lugar. Com o apoio da mídia, Moro consegue com que o promotor seja substituído, entrando em ação Deltan Dallagnol. O jornal destaca como neste momento a operação se transforma em uma verdadeira novela política e judicial. 

O Le Monde traz ainda que as gigantes de construção Odebrecht, OAS ou Camargo Correa entraram na mira das autoridades norte-americanas. Não só porque estão ganhando mais contratos, mas também porque participam do fortalecimento da influência geopolítica do Brasil na América Latina e na África ao financiar campanhas. 

O jornal ainda lembra que Thomas Shannon, embaixador americano destacado em Brasília de 2010 a 2013, afirmou que o projeto político brasileiro de integração econômica da América do Sul suscita sérias preocupações nos Estados Unidos. 

Preocupações que vieram em um momento em que revelações do informante Edward Snowden, mostraram a espionagem da Agência de Segurança Nacional dos Estados Unidos (NSA) contra Dilma Rousseff e a Petrobras. Algo que gerou uma tensão entre Brasília e Washington. 

Garantia de boa vontade 


A fim de dar garantias de boa vontade às autoridades dos EUA, os promotores brasileiros organizaram uma visita confidencial a Curitiba em 6 de outubro de 2015, por dezessete membros do Departamento de Justiça dos estados Unidos (DoJ), do FBI e do Departamento de Segurança Interna para receber uma explicação detalhada sobre o processo em andamento na Lava Jato. 

Permitem também que tenham acesso aos advogados dos empresários potencialmente trazidos para “colaborar” com os tribunais norte-americanos, sem que o poder executivo brasileiro seja informado. 

Enquanto isso, a presidente Dilma Rousseff ia perdendo apoio parlamentar e convidava Lula para ingressar ao governo. Um movimento visto como uma última tentativa de salvar sua coalizão. Ao mesmo tempo, membros da Polícia Federal, por ordem dos promotores, grampearam de forma ilegal os telefones dos advogados de Lula (vinte e cinco defensores ao todo), assim como o celular do próprio ex-presidente. Sergio Moro obterá assim uma conversa entre este e Dilma Rousseff. Uma troca de palavras sobre o futuro de Lula, que o magistrado prontamente encaminhou à Rede Globo, induzindo um suposto favorecimento para salvar Lula de Moro e que selou o impeachment do presidente poucos meses depois. 

Durante este período conturbado, os promotores do DoJ estavam monitorando de perto os desenvolvimentos políticos no Brasil. De acordo com Leslie Backshies, então chefe da unidade internacional do FBI, que desde 2014 é responsável por auxiliar os investigadores do “Lava Jato” , “os agentes precisam estar cientes de todas as ramificações políticas potenciais desses casos, porque casos de corrupção internacional podem ter efeitos importantes que influenciam as eleições e as economias. ” O especialista acrescentou: “Além de conversas regulares sobre os casos, os supervisores do FBI se reúnem trimestralmente com os advogados do DoJ para revisar os processos em potencial e as possíveis consequências. ” 

É, portanto, com pleno conhecimento dos fatos que estes últimos encerram sua denúncia contra a Odebrecht nos Estados Unidos. No entanto, os proprietários do grupo relutam em assinar o acordo de “colaboração” proposto pelas autoridades norte-americanas, que inclui o reconhecimento de atos de corrupção não só no Brasil, mas em todos os países onde a empresa estava instalada. 

Para dobrá-los, o Ministério Público norte-americano pediu ao Citibank, responsável pelas contas da subsidiária americana da empresa, que desse à Odebrecht 30 dias para encerrá-los. Em caso de recusa, os valores depositados nessas contas seriam colocados em liquidação judicial, situação que excluiria o conglomerado do sistema financeiro internacional e, portanto, o colocaria em situação de falência. 

Diante deste cenário a Odebrecht concoda em “colaborar”, permitindo que os promotores da Lava Jato, que não têm competência para julgar atos de corrupção ocorridos fora do Brasil, obtenham as pechinchas dos executivos da empresa. 

Moro então era capa em diversas revistas e conferências norte-americanas. Situação que fazia com que o ex-juiz entrasse em 2017 com confiança. Porém, como o próprio jornal francês destaca, isso acontece mesmo sem ter encontrado provas contra Lula, como é confirmado em conversas no Telegram. Porém, o apoio da mídia e a influência política conquistada os deixavam prontos para os capítulos seguintes. 

Mídia se cala 


O Le Monde também destaca como poucos jornalistas se pronunciaram com o fato de Lula ter sido condenado sem provas. Assim como também não se manifestou quanto o encarceramento do ex-Presidente mesmo sendo contrário à Constituição, pois, o artigo 5º diz que ninguém pode ser preso antes do fim do processo. 

O jornal afirma que com Lula fora da eleição presidencial de 2018, o magistrado parece ter sido conquistado pela arrogância, a máquina infernal é lançada. Jair Bolsonaro venceu as eleições presidenciais e indicou o homem que eliminou Lula para chefiar o Ministério da Justiça. Do lado americano, eles estão satisfeitos por ter derrubado os esquemas de corrupção da Odebrecht e da Petrobras, bem como sua capacidade de fortalecer a influência política e econômica brasileira na América Latina. 

Para os promotores de Curitiba, o DoJ planeja pagar a eles 80% de todas as multas impostas, que eles poderiam administrar como entenderem. Uma fundação de direito privado será criada para administrar 50% do dinheiro. A diretoria dessa fundação não é outra senão os próprios promotores da Lava Jato e vários líderes de ONGs, incluindo as do capítulo brasileiro da Transparência Internacional, que se tornou um dos principais porta-vozes da operação ao longo dos anos. Dois procuradores da equipe, o senhor Dallagnol e Roberson Pozzobon, planejam inclusive criar uma estrutura jurídica em nome de seus respectivos cônjuges, para cobrar por serviços de consultoria “anticorrupção”. 

Porém, os ministros do STF não escondem o espanto ao tomarem conhecimento, em março de 2019, do conteúdo do acordo negociado em segredo entre os procuradores da “Lava Jato” e seus homólogos do DoJ. O ministro Alexandre de Moraes decidirá suspender a criação da fundação “Lava Jato” e colocar em liquidação as centenas de milhões de dólares em multas pagas pela Petrobras. 

É neste contexto que a primeira revelação de The Intercept se desdobra. Em maio de 2019, Greenwald recebeu de um denunciante, Walter Delgatti, 43,8 gigabytes de dados de conversas privadas, via Telegram, da equipe “Lava Jato” . Após o trabalho de verificação, três artigos são publicados em um domingo de junho. Moro e os promotores não reconhecem a veracidade das trocas. Eles afirmam não ter cometido ilegalidade, embora se recusem a entregar seus telefones para exame. 

Embora essas revelações não tenham afetado significativamente a popularidade do juiz, sua aura começa a se desgastar na imprensa internacional. Por sua vez, o Supremo Tribunal Federal finalmente reconheceu a inconstitucionalidade da prisão de Lula, que é libertado em 8 de novembro de 2019. O presidente foi absolvido de sete das onze acusações contra ele (a acusação está apelando em quatro casos). 

Sergio Moro acabou renunciando em abril de 2020. A elite política de Brasília lhe deu as costas e as pesquisas foram revertidas. Agora, o ex-juiz trabalha no escritório Alvarez & Marsal, que é administradora da recuperação judicial da Odebrecht.

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