JK e Lacerda apoiaram o golpe e depois foram perseguidos

Os defensores da Ditadura Militar quase sempre alegam que o golpe de 64 foi contra o Comunismo. Só que além do Presidente João Goulart, os militares também foram atrás de muitos outros políticos como Juscelino Kubitschek e Carlos Lacerda. Neste episódio você vai ver como isso ocorreu, mas também como os dois chegaram a apoiar o golpe, acreditando que teriam mais chances de chegar ao poder.


Jango tinha apoio antes do golpe


Um dos absurdos que é dito sobre o Golpe militar de 64 é que o povo apoiou isso. Muito pelo contrário, uma pesquisa naquele mesmo ano apontava que João Goulart tinha 70% de aprovação. Isso sem contar que no ano anterior, em 1963, o povo decidiu em um referendo que Jango passasse a ter mais poderes, escolhendo que o País voltasse a ter um Sistema Presidencialista, e não mais Parlamentarista como havia virado em 1961 com uma primeira tentativa de golpe de militares.

Golpe Cívil-militar


Só que claro que João Goulart tinha inimigos políticos, que não concordavam com pautas como reforma agrária e distribuição de renda. Com a movimentação pelo golpe em 1964 apareciam também a ambição de alguns políticos que desejavam chegar ao poder e acreditavam que a retirada de Jango do posto seria um bom atalho para isso. Algo não muito diferente da postura de partidos como PMDB, PSDB, DEM e tantos outros tidos como democráticos que atuaram no golpe de 2016 visando o poder.

A postura de Carlos Lacerda


Um desses casos é Carlos Lacerda. O ex-jornalista que já havia tido atrito com Getúlio Vargas e que quase havia resultado em um golpe militar ainda na década de 50, voltou a se estranhar com outro Presidente na década de 60, desta vez, com Jânio Quadros.

Neste momento, Lacerda era Governador do Estado da Guanabara, atual cidade do Rio de Janeiro. Jânio acabou renunciando, mas Lacerda então virou os ataques para o sucessor João Goulart. Em diversas entrevistas inclusive ele declarava que Jango sequer terminaria o mandato.

Quando o golpe então aconteceu em 1 de abril, Carlos Lacerda defendeu então que um dos militares golpistas tomasse posse. E foi além, começou a pressionar pela cassação dos direitos políticos do ex-Presidente JK.

O objetivo era claro, deixar um caminho limpo, sem fortes concorrentes nas eleições de 1965. Isso porque as pesquisas apontavam que JK era o favorito, com 37% das intenções de voto contra 25% de Lacerda.

Só que não teve eleição. O mandato de Castelo Branco foi prorrogado até 1967, o que desagradou Lacerda, que virou oposição ao governo.


JK e os militares



JK, por sua vez, também apoiava os militares. Na véspera do golpe, Kubitschek havia se encontrado com o embaixador dos EUA no Brasil e tranquilizava o representante norte-americano de que o golpe seria bem sucedido. JK tinha uma boa relação com o governo norte-americano desde o tempo que foi Presidente, pois projetou o crescimento brasileiro com financiamento externo. E, portanto, acreditava que nessa conspiração ele teria boas chances de retornar a Presidência.

Porém, dois meses depois do golpe, JK teve os direitos políticos cassados. Poucos dias antes disso acontecer e já sabendo que este era o próximo passo dos militares foi aí que Juscelino passou a se opor os militares. Ele fez um pronunciamento no Senado no qual afirmava prever que o governo militar endureceria o regime, trazendo sérias consequências para o povo.


A perseguição dos militares a Lacerda e JK



Com as eleições canceladas, JK e Lacerda então lançaram uma Frente Ampla que inclusive contava com Jango. Algo muito similar a políticos de hoje que fizeram parte do golpe de 2016 e agora dizem formar uma Frente Ampla democrática.

No entanto, essa Frente durou muito pouco, pois em 1968 a mesma foi extinta pelos militares, com o AI-5

As mortes de Lacerda e JK


JK e Lacerda então acabaram morrendo antes da abertura política e de terem chance de concorrerem a Presidência.

JK morreu em agosto de 1976 em uma batida de carro na Via Dutra. Só que sempre se levantou a suspeita de que a morte não teria sido acidente e sim um atentado, pois foi encontrado vestígios de metal no crânio do motorista, o que poderia ser um tiro.

Já Lacerda morreu em maio de 1977 com uma infecção no coração após ser internado com uma desidratação causada por um gripo.

A morte de Jango


Além de JK e Lacerda, Jango também teria tido uma morte misteriosa, em 6 de dezembro de 1976. O laudo entregue na Argentina registrava apenas infarto, o que levantava diversas dúvidas se o ex-Presidente teria sido envenenado.

Só que a teoria da conspiração levanta mais dúvidas porque as três mortes ocorrem em um espaço de 272 dias. Entre agosto de 1976 e maio de 1977. E hoje, já se tem diversos documentos sobre a Operação Condor, que surgiu em 1975. A operação chefiada pelos Estados Unidos era uma aliança político-militar entre os países da América que eram governados por uma Ditadura Militar. Consistia em uma cooperação de espionagem e ações contra adversários políticos.

Para completar, existem diversas queixas de familiares de Lacerda, JK e Jango quanto a precaridade das investigações. Ocorreram sumiços de fotografias, laudos ignorados e exames mais apurados que não foram feitos.

Se ocorreram três assassinados promovidos pela Operação Condor jamais saberemos. O ponto que dá para afirmar é que a história mostra que não adianta muito reclamar quando o caos total acontece se apoiou passo a passo do que levou o país para esta situação. Muitos políticos surfam em ideias de golpes políticos acreditando que assim estão mais próximos do poder, quando na verdade estão participando de uma ruptura democrática que pode levar anos para ser consertada.

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