Bolsonaro e as interferências na Polícia Federal

Bolsonaro e a direita que o elegeu passaram a campanha e boa parte do governo falando que são contrários a interferências do Governo. Porém, ao que parece, isso só vale para não reduzir o preço do arroz que o povo compra, da carne, do gás e da gasolina. Porque quando o assunto é interferências no comando da Polícia Federal, o governo de Bolsonaro é campeão.

Bolsonaro x Moro 

Foi em abril do ano passado que parte dessa extrema direita rachou exatamente por isso. O ex-ministro da justiça, ex-juiz, ex-imparcial e atual suspeito Sergio Moro rompeu com aquele que ele ajudou a chegar ao poder, Bolsonaro.

O motivo do fim da relação foi exatamente porque Bolsonaro queria mudar o comando da Polícia Federal para “proteger a família” como ele mesmo afirmou na reunião. Mostrando que quando é para proteger os interesses pessoais é possível sim fazer interferência. E curiosamente parece que para os apoiadores e até setores da mídia misteriosamente parecem fazer vista grossa para situações como essa.

Prova disso é que já faz um ano do vazamento do vídeo da reunião ministerial que explanou toda esta situação. O inquérito no STF está em andamento, mas em ritmo lento e até o momento sequer foi definido se Bolsonaro irá depor presencialmente ou por inscrito.

Enquanto isso, Bolsonaro segue interferindo na Policia Federal com foco em proteger os filhos. Desde a reunião já foram três trocas na liderança da Polícia Federal. Até então, a única dificuldade que Bolsonaro teve foi quando tentou indicar um amigo da família, Alexandre Ramagem, que teve o nome barrado pelo STF.

Nova troca na Polícia Federal

Para o cargo acabou entrando Rolando de Souza, indicação de Ramagem, porém, o até então diretor-geral da PF abriu inquéritos que incomodaram Bolsonaro. O mais recente, em março deste ano, investigava os negócios envolvendo o zero quatro, o caçula Jair Renan Bolsonaro.

A investigação em cima de mais um filho de Bolsonaro ocorre por Jair Renan recebeu um carro elétrico, avaliado em 90 mil, do empresário Wellington Leite. E exatamente um mês após esta doação, o empresário do Grupo WK conseguiu um encontro com o Presidente do Brasil.

Com isso, a Polícia Federal apura se Jair Renan estaria atuando intermediando encontros de empresários com o governo em troca de favores.

A situação não agradou Bolsonaro e mais uma vez a saída foi mexer novamente no comando da Polícia Federal. Exatamente um ano depois da chegada de Rolando de Souza, o Governo substitui, colocando no lugar Paulo Maiurino.

As constantes trocas chamam a atenção porque são raras. Paulo Lacerda foi diretor ao longo de todo o primeiro mandato de Lula. Em seguida, Luiz Fernando Corrêa assumiu e ficou por todo o segundo mandato. Já Leandro Daiello Coimbra assumiu com Dilma e ficou durante os seis anos de governo.

Portanto, em apenas 2 anos e meio de governo, Bolsonaro já trocou o mesmo número de vezes que o PT em 14 anos. A média superior até mesmo a de Fernando Henrique Cardoso, que fez cinco trocas, mas ao longo de oito anos.

E isso acontece sem absolutamente nada ser feito. Mas infelizmente nós sabemos que o nosso judiciário é extremamente lento para acertar as coisas. Ás vezes levam cinco anos para tomarem decisões teriam evitado os rumos que o país tomou nesse período.

Isso tudo chama a atenção para a importância de servidores concursados. Não que isso seja uma garantia de qualidade. Mas ao menos evita que setores chaves como a Policia Federal ou a Procuradoria Geral estejam nas mãos de quem está no governo, fazendo com que a população só possa torcer para que não tenha interferência.

 

 

 

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