A vacina contra Covid no Brasil

Desde março de 2020 o principal assunto é vacina contra a Covid-19. A tão sonhada responsável por nos devolver ao velho normal. A Vacina está pronta e até está sendo aplicada, porém, em ritmo lento. Pessoas nas faixas de 30 anos e que não se encaixam no grupo prioritário, por exemplo, sequer sabem se serão imunizadas ainda em 2021. Afinal, a cada mês o governo reduz a estimativa de chegada de vacinas e neste momento temos mais propostas de compras recusadas pelo Ministério da Saúde do que confirmadas. Por isso, este artigo é para falar sobre todo este cenário, como chegamos até aqui e o que está para acontecer.


Começo da vacinação


O dia 8 de dezembro de 2020 vai ficar marcado para sempre. Foi desta data que o Reino Unido se tornou o primeiro país a vacinar contra o Covid-19. Já a primeira aprovada pela Anvisa, a Coronavac, foi liberada para uso em 17 de janeiro.

Demora de vacinas / recusa de vacinas


No entanto, entraremos em maio, ou seja, cinco meses após a primeira aplicação de vacina no Mundo e quatro meses da primeira aqui no Brasil e ainda assim, sequer chegamos a sequer 20% da população vacinada e somente cerca de 15 milhões tomaram as duas doses e estão imunizadas.

Considerando por média de vacinas aplicadas a cada 100 habitantes, o Brasil está na 57ª posição, com somente 18 vacinados em cada 100. Hoje, o ritmo do país é similar ao da China, que tem uma população sete vezes maior.

E isso acontece mesmo o Brasil tendo um importante aliado que é o SUS, que tem condições de aplicar em alto ritmo desde que se tenha vacina. Um exemplo disso é que no dia 14 de abril, o Brasil chegou a aplicar 1,14 milhão de doses. Se esse ritmo fosse adotado desde o primeiro dia, todo o Brasil já estaria vacinado ainda neste primeiro semestre.

Porém, com estoque baixo, este número é raridade, e logo nos dias seguintes o número chegou a cair para 336 mil no dia 21, pois em muitas cidades já não tinham doses.

Vacinas e recusadas e vacinas compradas


E o grande motivo por uma vacinação lenta está exatamente no Governo Federal. A CPI investiga quantas vezes o governo deixou de comprar vacinas, mas até ao momento já se sabem que foram pelo menos 11 recusas.

Seis delas foram do Coronavac, com propostas em julho, agosto e outubro. Outras três da Pfizer, sendo que a primeira em agosto, com a oferta de entrega de 70 milhões de doses em dezembro de 2020. Ou seja, o Brasil poderia entrar em 2021 vacinando quase que um terço da população.

Por duas vezes, o Governo também se recusou a participar do consórcio da Covax Facility.

Isso tudo fez com que a vacinação atrasasse e ficasse nessa oscilação. Isso porque basicamente as doses que chegam prontas como a da Pfizer, só começaram a chegar agora no final de abril. Já as duas que estavam sendo utilizadas, a da Coronavac e Astrazeneca, dependiam de insumos que chegam da China, que hoje tem uma péssima relação devido a ataques de ministros e filhos do Bolsonaro. Algo que dificulta a negociação e faz com que a produção aqui tenha sempre um ritmo incerto.

Sem conseguir confirmar as compras de vacinas e insumos, o ministério da saúde reduz a estimativa de vacinas todos os meses. Só para ter uma ideia em 19 de março, o Ministério havia anunciado que o Brasil teria 205,9 milhões até o final de junho. Depois de um mês, em 24 de abril, o Ministério reduziu para 159,4 milhões. Uma redução de 46,5 milhões.

A situação é preocupante também porque o Governo a principio pretende usar as vacinas da Pfizer somente nas grandes cidades devido a necessidade de refrigeradores melhores para que as mesmas possam ser armazenadas em condição ideal. Algo que não seria possível em algumas regiões.

Anvisa com decisões políticas?


E o Brasil ainda pode ver mais vacinas saírem do cronograma de vacinação. Isso porque existia a expectativa da compra da Sputnik, a vacina produzida na Rússia. No entanto, a Anvisa recusou a liberação da vacina alegando falta de documentos e por não garantir que esta vacina não possa trazer riscos. No entanto, hoje existe um grande temor se a decisão não é política, afinal, a Sputnik é a vacina que está negociando com o consórcio de governadores do nordeste e também o de prefeitos, que decidiram agir em busca da vacina por causa da demora do Governo Federal.

O receio da decisão política cresce exatamente pela demora que ocorreu na aprovação da Coronavac, que como era promovida em pronunciamentos de João Doria não agradava Bolsonaro.


Negacionismo da vacina / Porque foi tão rápido?


Aliás parte deste atraso também está ligado ao negacionismo representado pelo Presidente. Desde o processo de testes e produção, Jair Bolsonaro se manifestou contrário as vacinas diversas vezes. Isso ocorria parte para agradar os negacionistas que votaram nele e que não acreditam nas vacinas e aqui já expliquei como não existe qualquer fundamento duvidar da importância da vacinação. No link você vai conferir como surgiu estes grupos anti-vacina e que nunca conseguiram apresentar nada de concreto.

Mas outro ponto que Bolsonaro quis explorar era o ideológico, o campo político. Afinal, desde o começo da corrida pela vacina, o Governador de São Paulo, João Doria, ex-aliado de Bolsonaro e que virou desafeto na Pandemia, aparecia em campanha pela Coronavac, que seria produzida no Butantan em parceria com a China.

Bolsonaro então não queria que um desafeto levasse crédito por algo e nem mesmo a China, que já foi atacada por diversos ministros. Com isso, iniciou a se uma campanha para desqualificar a Coronavac e que acabou contagiando não só o grupo de negacionistas, mas até mesmo um público anti-Bolsonaro mas que achava estranho a velocidade da vacina.

E este é um ponto que se o governo estivesse atuando pelo povo e não contra seria facilmente resolvida, pois trata-se de uma explicação simples. O primeiro é que o volume de investimento foi muito superior ao de outras doenças devido ao número elevado de mortes e por não ter nenhuma outra forma de amenizar. Foram então mais pesquisadores e mais empresas engajadas com um só objetivo. Além disso, os pesquisadores também levaram menos tempo para descobrir qual o agente que precisavam neutralizar para impedir a disseminação do vírus no corpo. Isso ocorreu também por conta do conhecimento pelo enfrentamento de epidemias causadas por outros coronavírus no passado.

Porém, o mais importante que todas as etapas de estudos e seguranças foram seguidas conforme protocolo.

Quebra de patentes das vacinas

Só que além de não ajudar, o Governo ainda se posiciona contrário ao povo também quanto o assunto é as patentes das vacinas. Neste ano, Índia e África do Sul lançaram uma campanha para quebra de patentes das vacinas como forma de facilitar o acesso as vacinas pelos países mais pobres. A ideia deteve apoio de outras 99 nações, porém, o Brasil não faz parte deste grupo, tendo se posicionado do lado dos países mais ricos.

Com isso ocorrendo, os países mais pobres não ficariam tão dependentes de acordos com as grandes fabricantes, o que poderia acelerar a produção e também baratear o processo. No momento, o Brasil, assim como boa parte dos países, fazem parte de um acordo na OMC, que estipula um limite mínimo de 20 anos para uma patente vencer.

No entanto, existem alternativas a isso, como o Presidente decretar emergência nacional. Neste caso, o Brasil licenciaria a fórmula para que laboratórios brasileiros fabricassem, diminuindo assim o preço da produção e o país pagasse apenas os royalties aos donos das patentes.

A medida sequer seria novidade. Em 2007, o Presidente Lula, fez isso com um remédio para o tratamento contra a Aids. Isso ocorreu, as pessoas passaram a ter acesso ao remédio e nenhuma empresa deixou o país, como alegavam os que eram contrários à ideia.

Problemas na logística


Só que é difícil qualquer ação em um Governo que se mostra incompetente até no básico. Além de todos os problemas já citados aqui, ocorreram diversos problemas de logísticas, como a demora na distribuição ou até mesmo no erro nas quantidades, como o que ocorreu em fevereiro, quando Amapá recebeu a quantidade que deveria ter ido para o Amazonas, que era 39 vezes maior devido a diferença da população.

Porém, o erro não foi isolado. Agora no final de abril, o Ministério da Saúde simplesmente encontrou 100 mil doses perdidas no estoque, tudo isso enquanto diversas cidades cancelavam a aplicação da segunda dose exatamente por falta de vacina.

Para completar sequer termos um cronograma confiável. Hoje não dá para ter certeza se todos os brasileiros serão vacinados. E como não sabemos se as pessoas que já tomaram neste ano precisarão de novas doses no ano que vem vivemos ainda na incerteza de quando viveremos um novo normal. E o culpado disso é o homem da casa de vidro.


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