O Centrão na política brasileira

 No Brasil sempre tem uma turma que diz que não é de direita e nem de esquerda. Mas apesar desta fala ela certamente não é do Centrão embora possivelmente vote em políticos deste grupo. Isso porque como o nome já diz, o Centrão não é um lado, não tem uma posição fixa, mas sim responsável por grandes problemas da política brasileira. 



Certamente ao ouvirem a abertura deste episódio algumas pessoas certamente discordaram da tese de que o Centrão não tem uma posição fixa, afinal, trata-se principalmente de políticos conservadores e descolados de pautas sociais. No entanto, como vamos falar aqui, os políticos deste grupo de fato não têm posição. Eles podem até serem mais identificados com algumas pautas que hoje são levantadas pela direita, porém, no final das contas são partidos e políticos que simplesmente estão à venda e vão cair para o lado que pagar ou oferecer mais.   

E esta situação faz com que o Centrão seja um problema para o Brasil seja se você for de esquerda ou de direita. E, portanto, é importantíssimo que você avalie bem quando for votar em candidatos deste bloco.  


Eleição de Arthur Lira 

O caso mais recente do poder do Centrão e do custo dele para o país foi a eleição para a Presidente da Câmara. Até uma semana antes da disputa, Baleia Rossi era o favorito para o posto. O Deputado do MDB era o indicado por Rodrigo Maia e contava com o apoio de políticos de esquerda e de direita, mas que era um pouco descolados do bolsonarismo. 

Só que aí entrou em ação o Governo Federal liberando 3 bilhões para 250 deputados às vésperas da eleição. Sim, o mesmo do Presidente Jair Bolsonaro que falou que não tinha dinheiro. 

Acontece que para o povo, Bolsonaro só vai se preocupar em 2022, quando certamente vai lançar algo extremamente populista para conseguir se reeleger. Em 2021, assim como em 2020 e 2019, ele não tinha que se preocupar em fazer alguma coisa para o povo e sim se manter no poder. 

E para conseguir isso ele precisa do centrão e eleger o candidato do Centrão, representado por Artur Lira, do PP, que recebeu 302 votos. Perceba a diferença pequena entre os votos e os deputados que receberam o dinheiro. Foram 250 recebendo a quantia e 302 votos dando a vitória para Lira. 


Quem é o Centrão?

Só que neste momento você se pergunta quem é este centrão. E aí voltando ao que falamos no começo. São partidos e políticos que não tem lado. Individualmente eles podem até ser inclinados a alguma coisa, apoiam uma pauta conservadora, religiosa, da bala, do agronegócio, mas no final das contas mesmo vão para o lado que pagam mais. 

Claro que isso não é exclusivo do Centrão. Aconteceu também com o DEM e o PSDB nesta eleição da Câmara, por exemplo. Curiosamente, os dois partidos atuaram como o Centrão justamente em um momento que parte golpista da imprensa tentam tratar candidatos dos dois partidos como de Centro, exatamente para se tornarem alternativas ao Bolsonaro e ao PT. Só que os dois historicamente votam favoráveis a pautas de direita e são mais resistentes as de esquerda. Assim como PT, PC do B, PSOL, PDT e PSB fazem o inverso. 

Só que existem um leque grande de partidos que você sequer sabe o lado. São os casos de PP, Republicanos, Solidariedade, PSD, MDB, PROS, PSC, Avante, Patriota entre outros. Juntos eles possuem basicamente um terço das cadeiras e, portanto, são decisivos no jogo político.  


Histórico de atuação do Centrão

A maioria destas partidos já chegaram a fazer parte da base de apoio do Fernando Henrique Cardoso, do Lula, da Dilma e de Bolsonaro. Você pode até não reconhece-los porque ao longo do tempo ocorreram diversas fusões ou mudanças de nome. Mas você certamente já ouviu falar de Roberto Jefferson, Valdemar da Costa Neto, Paulinho da Força e tantos outros. 

Eles também foram decisivos para o Impeachment, seguindo a orientação do líder do Centrão Eduardo Cunha. Mas no final das contas, todo o interesse destes partidos era dinheiro e poder. Todas as decisões deles vieram baseadas em quanto receberam de emendas parlamentares ou então de vagas de ministério. Até 2020, o Centrão era responsável direto por 2% de todo o orçamento do Brasil após acordos com Bolsonaro. É o velho toma-lá-dá-cá só que agora fazendo arminha. 

Só que como disse o problema é antigo. O termo centrão apareceu pela primeira vez na Assembleia Constituinte de 1987. Era um grupo que reuniu diversos partidos de centro e de direita em torno de José Sarney. O grupo era comandado pelo PFL e pelo PMDB, PTB, PL e PDS, que hoje é o PP, além de muitos outros.  

O grupo tinha como objetivo evitar o avanço de pautas mais progressistas, como por exemplo, evitar a reforma agrária. Foi neste período também que surgiu o toma lá dá cá, que na época era chamado de “é dando que se recebe”. Isso porque José Sarney queria ficar cinco anos no poder e não quatro como viria a ser decidido para governos futuros. Em troca de conseguir isso, o governo Sarney liberou recursos para as bases eleitorais dos constituintes, além de concessões de canais de rádio e de televisão à aliados. 

Foi o começo de uma prática que existiu em todos os governos e que nem tem sinal de acabar. 

Por tudo isso, se você é de direita você em partidos e políticos assumidamente de direita. Se você é de esquerda vote em partidos e políticos assumidamente de esquerda. Não escolha alguém que até tem boas ideias, boas intenções, mas que está em um partido do Centrão. Isso porque por melhor que ele seja, na hora decisiva, ele vai ter que seguir a orientação do partido, e essa orientação vai custar caro aos cofres e ao rumo do país. 

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