História do Livorno: Um clube de esquerda

Quem fala que futebol e política não se misturam certamente não entende nem de um e nem de outro. Poucos esportes são tão democráticos, permitindo o acesso a tantas pessoas como o futebol. Com isso, boa parte dos atletas acabam sendo de origens pobres, o que faz, portanto, que faça ainda mais sentido clubes e jogadores se posicionem ao lado de lutas sociais.

Infelizmente este posicionamento não é tão comum, mas lá da Itália, um clube nunca tirou o pé nesta dividida. Estamos falando do Livorno. 




O clube fundado em 1915 com origem operária tem como principais destaques dentro de campo três conquistas da Série B, em 1936, 1953 e 1987. O clube teve como melhor desempenho na elite na temporada 1942/1943 quando ficou com vice, após ficar um ponto atrás do Torino. Mais recentemente fez uma boa campanha na temporada 2005/2006, quando ficou em sexto. Atualmente sofre na terceira divisão do futebol italiano.

Só que é fora de campo que temos a melhor atuação do Livorno. O clube desde sempre bateu de frente com torcedores fascistas, especialmente da Lazio. A ligação com pautas sociais ocorreu principalmente a partir de 1943, isso porque foi fundado o Partido Comunista Italiano justamente na cidade de Livorno.

A partir de então músicas, bandeiras e faixas passaram a serem adotas pela torcida contra o fascismo, sobre comunismo, Che Guevara, referência a igualdade e muito mais.

Nos estádios até hoje são cantados hinos de resistência como “Bella Ciao” e provocações a Berlusconi.

O posicionamento é tão forte que o maior ídolo do clube só poderia ter um pensamento igual. Cristiano Lucarelli é filho de operários filiados ao partido comunista e cresceu em um bairro pobre de Livorno. O jogador teve um inicio de carreira meteórico, chegando a fazer 10 gols em 10 jogos pela seleção sub-21 da Itália. Porém, em uma comemoração levantou a camisa mostrando uma ilustração de Che Guevara e acabou ficando quase 10 anos sem ser convocado.









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