Cresce número de crianças fora da escola

Números mostram que ao contrário do que vinha ocorrendo nos anos 90 e principalmente nos anos 2000, o Brasil está perdendo número de crianças, jovens e adultos nas escolas. E os dados apresentados aqui são de ainda antes da Pandemia.




A educação de jovens e adultos iniciou 2020 com uma queda de 8,3% no número de matriculados em relação a 2019, ou seja, uma queda de 270 mil estudantes nas salas de aula. Foram 3 milhões de matriculados. É importante destacar que esses dados são do começo de 2020, portanto, antes ainda da Pandemia, que só teve impacto no Brasil a partir de março.

Além disso é importante destacar que este número tem caído desde 2018. Ou seja, pelo terceiro ano seguido estamos vendo menos jovens e adultos nas escolas.

Só que isso não tem sido um problema apenas desta faixa de idade. Considerando toda a educação básica, o número de matrículas caiu 1,2%, ficando em 47,2 milhões de alunos. Entre 2016 e 2020, portanto, o Brasil teve uma redução de 1,5 milhão de estudantes na educação básica.

Curiosamente este número tem caído desde 2016 e naquele ano ocorreu um fato político que tem se mostrado determinante para o país. Estes dados significativos indicam o que outros já mostram. A perda de renda dos brasileiros fez com que o número de matrículas na rede privada caísse e também que mais jovens e adultos tivessem que largar a escola para ajudar a complementar a renda dentro de casa.

E como disse mais uma vez. Todos estes dados são referentes ao começo de 2020. Portanto, nem dá para jogar a desculpa na Pandemia. Além disso, é bem provável que em janeiro de 2022 quando forem apresentados os dados deste ano a realidade já vai ser consideravelmente pior.

E para que ninguém alegue que esta redução possa se dar devido a um número maior de conclusão de estudos do que de crianças entrando na escola. O próprio IBGE traz o dado que 1,38 milhão crianças e adolescentes de 6 aos 17 anos não estavam matriculadas nas escolas em 2020. Isso representa 3,8% desta faixa de idade. Bem superior aos 2% de 2019.

Presença de crianças na escola vinha crescendo



O número chama a atenção, pois vai na contramão da evolução que foi observada no período democrático. EM 1985, quando terminou a ditadura, o país tinha 81,8% das crianças e adolescentes de 7 a 14 anos na escola. Este número saltou para 91,6% em 1991. E avançou ainda mais até 2015, quando somente 1,5% estava fora da escola. Ou seja a menos que a metade da taxa atual.

E tudo isso acontece ao mesmo tempo que o orçamento para a educação vem sofrendo alguns cortes, que profissionais são atacados e os estudos são desprezados por quem comanda o país, tanto que não é apresentado nenhum projeto de incentivo, estimulo ou apoio.

O cenário é bem diferente de alguns anos atrás, quando o investimento na Educação foi crescendo e saltando de 4% do PIB que era em 2004 até quase 6% em 2014. Só que para esta situação não trata-se apenas de enviar mais recursos para o setor, mas também garantir estabilidade financeira das famílias e ter projetos que indiquem que é possível que até a população mais pobre consiga ir mais longe nos Estudos.












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