A história do jogo do bicho

 O jogo do bicho faz parte da história do Brasil, em especial do Rio de Janeiro. Ao longo dos anos mesmo proibido teria gerado a riqueza de muitos contraventores espalhados pelo Rio de Janeiro. Veja mais sobre como surgiu, se tornou ilegal e mesmo assim continuou fazendo sucesso entre as pessoas. 



O jogo do bicho surgiu em 1892. Na época o barão João Batista Drummond tinha um zoológico, em Vila Isabel, na zona norte do Rio de Janeiro. No entanto, apesar de ter diferenças espécies e belas vistas da cidade não costumava ter um bom público.  

Para mudar isso então o barão resolveu criar um jogo. Toda manhã, ele escolheria um animal de uma lista com 25 e colocaria dentro de uma caixa na entrada do zoo. Todos os visitantes que resolvessem participar receberiam uma figura com um animal. O vencedor recebia 20 vezes o valor da entrada, o que já era equivalente a uma renda mensal de alguns trabalhadores. A medida funcionou e o volume de visitantes cresceu. 

Com o passar do tempo as pessoas passaram a poder escolher o animal e a também a comprar quantos quisesse em diversos pontos da cidade. Isso fez com que o jogo fizesse cada vez mais sucesso, principalmente pelos altos valores distribuídos em premiações.  

Primeira proibição do jogo do bicho 

Só que toda esta agitação acabou sendo mal vista e autoridades passaram a tratar o zoo como um “antro de jogatina”. 

Para combater a prática, em 1895 a Prefeitura então impediu que a aposta continuasse sendo realizada. A proibição acabou fazendo com que o zoológico novamente voltasse a passar dificuldades e o mesmo acabou sendo passado de mão a mão, inclusive com muitos dos novos compradores fazendo isso com interesse de explorar o jogo, o que legalmente não era possível. 

No entanto, a decisão acabou gerando um resultado totalmente oposto. Isso porque proibido no zoológico, as apostas passaram a ser realizadas por toda a cidade, surgindo assim a figura dos bicheiros. 

Proibição definitiva 

Foram então muitos anos entre repressão e um funcionamento irregular, até que o jogo do bicho foi enfim proibido e desta vez de forma rígida em 1941, junto com jogos de azar, cassino e loterias que não fossem autorizadas pelo governo federal. 

Confronto por controle 

Só que na prática a proibição no Brasil, assim como muitas outras que existem no país, não serviu para acabar com o jogo. Muito pelo contrário, facilitou com que o jogo do bicho caísse em mãos ainda mais perigosas e continuasse crescendo.  

Com isso, o que se viu especialmente no Rio de Janeiro entre as décadas de 40 e 70 foi um enorme conflito entre banqueiros do jogo do bicho armados. O objetivo era algo similar ao do tráfico, que era controlar pontos importantes da cidade. 

A partir da década de 70 então as regiões já estavam distribuídas a um pequeno grupo de bicheiros, conhecida como cúpula do jogo do bicho” que comandavam as suas áreas. 

Ditadura Militar e o Jogo do Bicho

O jogo do bicho acabou ganhando fôlego justamente na ditadura, curiosamente período que os defensores do regime militar tentam argumento que era limpo e sem corrupção. No entanto, foram exatamente nos anos 70 e 80 que grandes bicheiros começaram a fazer fortunas. E isso aconteceu graças a colaboração das autoridades públicas que recebiam para fechar os olhos para a prática. Até mesmo capitão do exército passou a liderar o jogo do bicho em Vila Isabel. 

Aliás, muitos dos bicheiros que ganharam dinheiro e dominaram regiões como Bangu, Ramos, Nilópolis e tantos outros contrataram inclusive ex-agentes do regime militar para serem o chefe da segurança deles. Não atoa, algumas escolas comandadas por bicheiros e que tinham ligações com os militares fizeram sambas em homenagem a ditadura na década de 70. 

Na época muitos bicheiros criavam negócios legais para “lavar” o dinheiro e nisso ficava ainda evidente a ligação dos militares e o jogo do bicho. Castor de Andrade, por exemplo, que chegou até a ser condenado em 1993, na época da Ditadura agia livremente e tinha uma Metalúrgica que era a grande fornecedora de materiais metálicos para a Diretoria de Material de Intendência do Exército brasileiro. Neste negócio Castor tinha como sócio simplesmente o sogro do filho mais velho do General e Presidente João Figueiredo. Impressionante como todo mundo em volta dos militares era envolvido com corrupção hein. 

A participação no Carnaval 

Já a ligação com surgiu na década de 30 e contribuiu tanto para a popularização do jogo do bicho, quanto também para a evolução dos desfiles de escola de samba. 

Na década de 30, o governo passou a apoiar as escolas de samba, porém, interviam nos desfilas e nas letras dos sambas.  

Com o jogo do bicho, as escolas passavam a ter mais liberdade e ter mais dinheiro para a realização dos desfiles. O poder e a influência dos bicheiros foi aumentando principalmente a partir da década de 70, quando as regiões estavam divididas e escolas como Mocidade, Beija Flor e Imperatriz passaram a ter destaque após forte financiamento dos bicheiros.  

Esta influência não se resumiu apenas ao Carnaval. O futebol também fez parte disso e com o comando de Castor de Andrade, o Bangu chegou até ao vice-campeonato brasileiro em 1985. 

Dinheiro 

Isso porque mesmo proibido, o Jogo do Bicho sempre teve capacidade de movimentar muito dinheiro. Um estudo da Fundação Getúlio Vargas estima que o jogo do bicho teria arrecado entre R$ 1,3 bilhão e R$ 2,8 bilhões em 2014. Estima-se que teria empregado 50 mil pessoas só na cidade do Rio de janeiro. 


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