A falsa democracia nos Estados Unidos

Os Estados Unidos se orgulham de serem a maior democracia do Mundo. Algo absurdo se levarmos em consideração que o país é o responsável por destruir a democracia em diversos países, com documentos comprovando diversas interferências na América do Sul, como no Brasil. Só que a eleição lá em 2020 escancarou como os Estados Unidos tem dificuldade até mesmo com a democracia interna.



Estados com pesos diferentes


Na eleição é preciso ter 270 delegados dos 538 em disputa. Cada Estado tem um número de delegados de acordo com a população. O problema é que basta você ter a maioria naquele Estado para levar todos os delegados, o que faz com que muitos votos sejam descartados. Não é atoa que em duas das últimas seis eleições quem foi o mais votado não foi eleito.

Isso acontece porque o Estado da Califórnia, por exemplo, tem 55 delegados. E, portanto, se um candidato lá ganhar com 50,1% ele faz mais pontos do que o candidato que tiver 100% nos 15 Estados menores.









O sistema foi criado por causa da dificuldade de comunicação em todo o país no século XVIII. E se manteve porque agrava principalmente ao Sul escravocrata. Porque embora os escravos não pudessem votar, eles contavam para as estatísticas da população, o que resultava em um número maior de delegados nos Estados. Não é atoa que a maioria dos primeiros presidentes dos Estados Unidos eram escravocratas

Negros não podiam votar


E exatamente este passado escravocrata e o presente racista o maior sinal de que os Estados Unidos estão longe de serem democráticos. O país até permitiu os votos dos homens negros em 1870, após a abolição, porém isso ficou apenas no papel. Os responsáveis por emitir a autorização dos direitos de voto praticavam políticas discriminatórias e recusavam a permissão que os negros votassem.

Lembrando as mulheres, brancas e negras, só foram conquistar o direito de voto lá também em 1920.

A luta dos negros contra esta discriminação durou ainda mais quase um século, com o direito ao voto e pondo fim as barreiras da época em 6 de agosto de 1965

Presos não votam


Só que o país continuou buscando fórmulas de tirar esta conquista dos negros de todas as formas.

Os cidadãos negros representam 13% da população dos Estados Unidos. E segundo estatísticas 1 em cada 13 afroamericanos sofreram algum tipo de condenação de 2016 para cá, ficando impedidos de votar.

E para ser impedido de votar vale qualquer tipo de condenação. Desde crimes graves a até mesmo delitos fiscais, no qual as pessoas sequer chegam a serem presas.

Só que o problema não é exclusivo dos últimos quatro anos. Atualmente 5,2 milhões de pessoas estão proibidas de votar nos Estados Unidos por condenações, o que representa 2,3% da população com idade para votar.

E o principal impacto nisso está nos homens negros. Um em cada 16 está proibido de votar por causa disso. É importante destacar que 38,5% dos presos nos Estados Unidos são negros. Lembrando que na população geral eles são apenas 13%.


Dificuldades de votação


Para piorar, as pessoas possuem dificuldades de conseguirem tirar o registro de votação e ainda por cima os locais de votação foram reduzidos. A cidade de Milwaukee, por exemplo, reduziu de 180 para apenas cinco, tendo que receber cerca de 600 mil eleitores.

E você pode pensar que a possibilidade do uso dos correios pode ter sido uma facilidade, mas não. Cerca de 40% dos votos depositados pelos correios e que foram rejeitadas, sendo devolvidas eram de pessoas identificadas como negras, indígenas e asiáticas.

Não satisfeito com isso tudo? Saiba que nesta eleição o Partido Republicano ainda espalhou urnas falsas pela California.


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