Autodromo, Salles, multas perdoadas e um pacote de abusos ambientais

O abuso contra as leis ambientais é um problema antigo no Brasil, principalmente se você tem dinheiro. Aconteceu com o possível candidato a Presidência Luciano Huck, que cercou a sua casa com boias no mar, ou de Geddel Vieira, ex-ministro de Temer que pressionou para liberarem a obra de um prédio de luxo em Salvador que ele já havia comprado um apartamento. No entanto a situação agora tem ficado mais grave a cada ano. 

Autódromo do Rio: Coleção de abusos ambientais


O grande foco atual gira em torno do possível futuro autódromo do Rio de Janeiro, que segundo o Estudo da empresa Terra Nova, a construção causará 31 impactos ambientais na Floresta do Camboatá. O autódromo seria construído no meio da Floresta, ocupando um espaço de 200 hectares. E seria feito no último ponto plano da mata atlântica na cidade do Rio de Janeiro e segundo especialistas sem a floresta, a região poderia sofrer muito mais com as chuvas. O relatório até apresentou áreas que não representariam impacto ambiental, como em Realengo, Santa Cruz e Campo Grande, porém, sabe-se lá porque existe uma pressão grande do governo para que a obra seja naquele local. 


 


 Ministro do Meio Ambiente lidera descaso


Só que o grande vilão ambiental nesta história toda é justamente quem deveria proteger o Meio Ambiente. No melhor estilo lobo tomando conta das galinhas, o Ministro do Meio Ambiente Ricardo Salles, que era do Partido Novo, atua mais pelos que infringem as leis do que elas áreas que teriam que ser protegidas. 

Desde o começo de Governo foram diversos decretos permitindo a exploração destas áreas protegidas seja na Amazônia ou na Mata Atlântica, como ocorreu agora na Pandemia. Só que além de tudo, foram muitos encontros exatamente com o objetivo de passar por cima das leis.  
Em novembro de 2019, por exemplo o ministro do Meio Ambiente recebeu infratores ambientais e todos de lá saíram com multas perdoadas ou fiscalização em suas áreas suspensas. A maioria era da Reserva Extrativista Chico Mendes, que somente em 2019 havia perdido 74,5 km de floresta, 203% a mais que em 2018 e o equivalente a dois Parques Nacionais da Tijuca, no Rio de Janeiro, que é a maior floresta urbana do mundo. 

E quando as atitudes questionadas não partem de Salles, elas vêm através de seus indicados.  
Isso porque Salles escolheu o superintendente Rodrigo Santos Alves para comandar o Ibama da Bahia e o empresário perdoou uma multa de R$ 7,5 milhões que havia sido aplicada a um hotel, que fazia uma obra irregular. 

O hotel Tivoli Ecoresort decidiu construir um muro na areia da praia, o que causaria impacto ambiental justamente em uma área que conta com o Projeto Tamar, de proteção aos animais marinhos.   
Os fiscais do Ibama então aplicaram a multa, que depois foi perdoada por Rodrigo, que é sócio de uma empresa imobiliária que atua exatamente com a oferta de imóveis de luxo no litoral. 


As decisões de Bolsonaro


Mas claro que Rodrigo e Salles não fazem isso porque simplesmente porque decidiram. Fazem porque contam com a aprovação e orientação de cima. Logo no começo de governo, Jair Bolsonaro criou um órgão exatamente para atuar no perdão dessas multas, chamadas de “núcleo de conciliação ambiental”, além de ter reduzido a fiscalização. 

Com isso, o que se vê é que em 2019 o número de multas por infrações ambientais caiu 35%. Foram no total 9.745 autuações. O menor número desde 1995. Enquanto isso A Amazônia viu ser desmatada uma área de 9.762 km². Um crescimento de 30% em comparação ao ano anterior. 
Isso tudo sem contar a passividade quanto as queimadas na Amazônia em 2019 e as queimadas no Pantanal em 2020. O assunto agora é sobre a construção de uma nova estrada no meio da Amazônia, com 152 quilômetros de rodovia, que passaria por cima do Parque Nacional Serra do Divisor e teria impacto em três terras indígenas. Mesmo com estudos apontando que o fluxo de mercadorias na região é extremamente baixo. 

Você pode até não enxergar a importância da manutenção das áreas verdes hoje em dia, mas certamente consegue perceber que só quem está ganhando com isso é a turma com dinheiro. São as madeireiras ilegais, o agronegócio, ou então grandes empresários em seus resorts. Mostrando mais uma vez a quem este governo serve. 
 

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