Saiba o que o MTST faz

Você aí na sua cidade certamente já passou por uma rua e viu um prédio abandonado e lembra que ele já estava assim desde que você era criança, correto? E pior, andando mais um pouco na rua mais a frente você sabe que tem muitas pessoas morando na rua? Isso está errado e é para acabar com isso que o MTST atua. Neste artigo você vai conhecer um pouco mais movimentando, que não tem o objetivo de invadir a casa de ninguém e sim de imóveis abandonados.

Efeito Guilherme Boulos

Apesar de não ser tão conhecido como o MST, o MTST também tem uma longa trajetória. Inclusive muitas pessoas ainda confundem os dois, pensam que se tratam da mesma coisa. Um é o MST, movimento dos Sem Terra, que já mostramos aqui em um outro episódio. Já o outro é o Movimento dos Trabalhadores Sem Teto e que ganhou muito mais visibilidade sem dúvidas a partir de 2018, quando um dos integrantes, Guilherme Boulos, veio como candidato a Presidência. Ele agora em 2020, é candidato a Prefeito de São Paulo.

A origem do MTST

Só que o MTST vem de muito antes, de 1997 e quando milhares de trabalhadores se organizaram em busca de um direito constitucional. Afinal está no artigo. 6º da Constituição: São direitos sociais a educação, a saúde, a alimentação, o trabalho, a moradia, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e à infância, a assistência aos desamparados, na forma desta Constituição.

Surge alinhado ao MST, mas com uma vertente mais urbana. Enquanto O Movimento dos Trabalhadores Sem Terra buscam terras para morar e produzir, o Movimento dos Trabalhadores Sem Tetos são pessoas que trabalham na cidade, sendo porteiro, diarista ou qualquer outra profissão, mas que com a renda não tem condições de pagar um aluguel.

Vale lembrar que o salário mínimo no Brasil é de R$ 1.045,00, sendo que muitos trabalhadores, que não tem carteira assinada recebe ainda menos que isso.

E em compensação, o valor médio do aluguel de um apartamento de 45 metros quadrados na cidade de São Paulo, por exemplo, é de R$ 1.021,00, de acordo com o SP Imovel. E mesmo que encontre valores abaixo disso, lembre-se que ainda tem despesas como luz, água, mercado e muitas outras.

Então não se tratam de “vagabundos” como alguns afirmam. Estamos falando de trabalhadores que acabam morando na rua por terem que escolher comer. E a menos que você ache justo que alguém tenha que optar entre ter um teto e comer, vai concordar que a luta por moradia é justa. E o pior é que não estamos falando de casos isolados. Segundo o IBGE, existem 6,35 milhões de famílias sem casas, que moram de favor, ou em um barraco ou estão nas ruas.

Atuação do MTST

O que o MTST então faz é prestar assistências a essas famílias e mapear terrenos e construções abandonadas há 10, 20 anos. Hoje no Brasil, são 7 milhões de imóveis nesta situação e muitos deles com dívidas absurdas de IPTU e outros tributos, em alguns casos a dívida com o Estado chega a ser maior que o valor do imóvel.

O movimento então ocupa estes espaços abandonados, para pressionar o poder público a desapropria-la e a transforma-la em moradia popular pelo próprio governo. E isso não saiu da cabeça dos organizadores. Está na Constituição, no artigo 182, que a propriedade urbana precisa cumprir uma função social, ou seja, ser utilizado como moradia, comércio ou de alguma forma. Cabendo o Estado desapropriar estes imóveis em troca de uma indenização justa.

Em pouco mais de 20 anos de atuação, o MTST já conquistou imóveis para milhares de famílias em 14 estados.

Importante destacar que o MTST não cobra aluguel de nenhuma família que esteja em uma ocupação, assim como também não vai entrar na casa de ninguém.

 

http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm

https://mtst.org/mtst/guilherme-boulos-verdades-e-mentiras-sobre-os-sem-teto/

https://www.ufjf.br/nugea/files/2016/06/Texto-Nugea-Talita-Fran%C3%A7a2.pdf

 

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