A história do Cais do Valongo e o Cemitério dos Pretos Novos

Um dos grandes problemas da história do Brasil é a tentativa de jogar para debaixo do tapete as nossas manchas históricas, ou para baixo do concreto, como foi o caso do Cais do Valongo.

O que foi o Cais do Valongo?

O Cais do Valongo foi o principal porto de entrada de africanos escravizados no Brasil e nas Américas. Só o Brasil recebeu perto de quatro milhões de escravos e só este Cais foi responsável pela entrada de um milhão.

Ele foi construído em 1811, com o objetivo de retirar o desembarque do comércio de escravos da Rua Direta, atual Primeiro de março. Como a região do Valongo era desabitada e com um acesso difícil, portanto, a chegada ocorria em uma parte escondida da cidade.

Complexo do Valongo

Fazia parte deste Complexo do Valongo também o Lazarento e as casas de engorda, que tinham como objetivos de recuperar os que chegassem doentes e engorda-los, para na sequência irem para os Armazéns de venda, onde eram negociados e enviados para diversos cantos do Brasil.

No complexo estava também o Cemitério dos Pretos Novos. O termo Pretos Novos era usado para chamar os escravos recém-chegados. E este cemitério eram fossas comuns onde eram jogados todos os africanos que chegavam sem vida ou que morressem antes de serem vendidos. O cemitério funcionou até 1830, quando foi desativado e ficou escondido até 1996, quando a proprietário do local na época encontrou restos mortais durante uma reforma. Durante as escavações foram encontrados muito mais em um espaço de 2 mil metros quadrados e os restos mortais mostravam que eram empilhados e queimados.

Na mesma época que o cemitério foi desativo, o Cais também parou de funcionar, devido as leis proibindo o tráfego de escravos que estavam sendo assinadas. E em 1943, o Governo Imperial decidiu cobrir o Cais com 60 centímetros de pavimento e o renomeou de Cais da Imperatriz, para a chegada de Teresa Cristina, futura esposa de D. Pedro II.

A República

Em 1911, o governo determinou que o Cais do Valongo fosse totalmente aterrado. Esta foi mais uma de muitas medidas do inicio da República que mais parecia tentar fingir que nunca ocorreu a escravidão aqui. Outro caso emblemático foi o de Rui Barbosa, Ministro da Fazenda, que determinou que os arquivos da escravidão fossem queimados.

O Valongo só foi ser encontrado em escavações feitas para as obras da revitalização da Zona Portuária do Rio de Janeiro, em 2011. Possui 350 metros de comprimento.

No ano a seguinte, a prefeitura do Rio de Janeiro acatou o pedido das Organizações dos Movimentos Negros, e transformou o espaço em um monumento preservado e aberto à visitação pública. O Cais do Valongo então passou a fazer parte do Circuito Histórico e Arqueológico da Celebração da Herança Africana., junto do Jardim Suspenso do Valongo, Largo do Depósito, Pedra do Sal, Centro Cultural José Bonifácio e Cemitério dos Pretos Novos.

 Fontes:

https://agenciabrasil.ebc.com.br/cultura/noticia/2017-07/encontrado-primeiro-esqueleto-completo-no-cemiterio-dos-pretos-novos-no-rio

http://portal.iphan.gov.br/pagina/detalhes/1605/

http://educacao.globo.com/artigo/cais-do-valongo-historia-da-escravidao-no-porto-do-rio-de-janeiro.html

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