Conservadores, liberais, sociais-democratas, progressistas, o que são?


 É preciso sempre ter muito cuidado na comparação com países diferentes, afinal, nos Estados Unidos o termo “liberal”, por exemplo, é muito mais jogado a esquerda, enquanto no Brasil, isso está mais associado a direita. Portanto, além de apresentar cada corrente, o foco é mostrar como cada ideologia é aplicada aqui no país.

Quadro comparativo das ideias dos liberais, conservadores, progressistas e sociais-democratas

1.       Liberalismo


O Liberalismo surge no final do século XVII, com John Locke, que acreditava que o Governo tinha a função de desenvolver boas leis, que protegessem os direitos do povo e as impor tendo o bem público em mente.
Locke era favorável a um governo que protegesse as propriedades privadas, mantivesse a paz, garantisse mercadorias comuns a todo povo, além de direitos a Liberdade e igualdade.

A ideia de Liberalismo inspirou muitas revoluções pelo Mundo, afinal, a maioria visava derrubar líderes absolutistas. O problema é que suas ideias eram seguidas apenas parcialmente. Nos Estados Unidos, por exemplo, Thomas Jefferson, articulava a Constituição Americana tendo Locke como inspiração, assim como as ideias de Liberdade, algo repetido exaustivamente até os dias de hoje, como o país da Liberdade. Porém, ao mesmo tempo que falava em Liberdade, permitia a escravidão nos Estados Unidos, o que em alguns Estados de lá durou ainda quase meio século.

Mas de uma forma geral, o Liberalismo defende a liberdade total dos indivíduos para exercerem atividades econômicas e, portanto, sem interferência do Estado, sem qualquer medida protecionista. Nada de controlar preços, acordos comerciais, tão pouco corrigir disparidades sociais. Conhecido então como o “livre mercado”.

Para eles, o Estado deveria focar apenas em serviços essenciais, como segurança pública, defesa nacional, justiça e educação básica. Já educação superior e saúde a população deveria contratar sistema privado. Um teórico muito famoso é Adam Smith. Um dos conceitos dele e que ficou muito propagado é a metáfora da “mão invisível” do mercado.

E para os Liberais, a Liberdade só pode existir se for completa, ou seja, não é possível ser liberal na economia, se não existir liberdade individual, liberdade social, assim como de Imprensa, religiosa, felicidade e outras esferas.

Seguindo essas ideias, o lugar de cada pessoa na sociedade dependeria do mérito individual, ou seja, se alguém tiver mais que o outro foi devido ao grau de esforço maior para alcançar os objetivos.
Além disso, defendem uma tributação mínima para as empresas. Acreditam que todo este sistema proporciona índices de crescimento econômico maior e consequentemente salários mais altos. E com os desequilíbrios sociais serão corrigidos pelo mercado a médio e longo prazo.

Basicamente, enquanto os defensores do liberalismo acreditam que a “mão invisível” do mercado pode ter fazer uma boa massagem, os críticos acham que ela pode te dar um soco na cara.

A crítica do Liberalismo

Os críticos apontam que uma economia totalmente liberal, sem interferência do Estado gera maiores índices de miséria e desigualdades sociais. Além desta situação excluírem pessoas que não tenham condições de contratar serviços privados, como no caso da saúde. A falta de um controle também poderia gerar monopólios e oligopólios, deixando os trabalhadores mais vulneráveis por não terem alternativas, e com isso, perdendo direitos e garantias.



2.       Conservadorismo


Por mais que muitos conservadores reivindiquem filósofos antigos como a origem da ideologia, esta nasce mesmo em 1790, com Edmund Burke, que escreveu uma crítica a revolução francesa, intitulada “Reflexões sobre a revolução em França”.

Para Burke e na crença dos conservadores até os dias de hoje, o direito individual não pode sobrepor a Tradição. Era favorável também as propriedades herdadas, em especial as grandes extensões de terra. Acreditava que a redistribuição de poucos para muitos resultaria em ganhos “Incomparavelmente menores”.

Uma confusão que é feita é a de que Conservadores quem deixar tudo como está, o que não é correto. Conservadores aceitam mudanças e até acreditam que isso é importante, porém, isso deve ocorrer de forma gradual e desde que respeite a história, valores sociais e a tradição.

Desta forma, o Conservador se sustenta em duas bases:
1 - A Lei Natural, que acredita que há princípios filosóficos e religiosos inscritos no homem, tornando-se um guia de posições morais e éticas.
2- Costumes, ou seja, a civilização deve ser uma sucessão do que já estava sendo feito, quanto a arte, leis, conduta de um modo geral na sociedade.

E exatamente por estes motivos o conservador acaba ficando do lado oposto ao progressista. Isso porque no entendimento do conservador, nem todo progresso seria positivo, caso não fosse respeitado ideias novamente relacionadas a tradição, como valores religiosos ou da família.

Nem todo conservador é adepto ao “Estado mínimo” como o liberalismo, porém, identificam limites para a atuação do Estado.  O Conservador rejeita a igualdade como objetivo da política, pois acredita que a igualdade político-jurídica é o suficiente, e qualquer desigualdade material é resultado de diferenças naturais dos indivíduos, seus esforços e suas decisões.

Críticas ao conservadorismo

Os críticos apontam a exclusão como um grande problema ao conservadorismo, pois todo o cidadão acaba se vendo obrigado a seguir e costumes e padrões determinados muitas vezes no passado, com um caráter autoritário. Além disso, como em um país pessoas largam de condições econômicas totalmente diferentes, somente a igualdade político-jurídica pode não ser suficiente para uma ascensão social.

A defesa pela desigualdade ainda era presente em diversos outros pontos, como a defesa de muitas sociedades nos quais eram mantidas uma vida de servidão, sem perspectivas de melhora ou direito a voz.

Além disso, sua premissa de que a paixão dos indivíduos serem sub-julgadas abria brecha para a censura e um Estado opressor.


 Progressismo


Já o Progressismo surge na Europa, durante o Iluminismo, quando filósofos e pensadores sociais perceberam que as próprias pessoas e não Deuses, podem mudar a sociedade e consequentemente o modo de vida. Os iluministas então começam a espalhar pelo Continente a ideia de que o progresso tinha aplicação universal. E que como as pessoas que criaram a própria sociedade, elas também poderiam entende-la perfeitamente e promover as mudanças.

O progressismo tem um caráter reformista e não religioso. Ao longo da história apoiou o voto feminino, os direitos trabalhistas, programas sociais, entre outros, estando, portanto, muito associado aos movimentos sociais em prol de minorias ou de grupos excluídos pela sociedade, como o movimento negro, identidades de gênero, minoritárias, o feminismo, os direitos dos indígenas, assim como a causa ambientalista e programas sociais para combater a sociedade.

De uma forma mais ampla, o progressismo acabou se encontrando com o do social-democrata, porém, também é adotado por liberal, com ambos contrários a imposição de uma ordem social e de tradições.

4.       Social democracia


A ideia social-democrata surge na Alemanha no final do século XX. Lá, o Partido Social Democrático Alemão, nasce compartilhando ideias Marxistas, mas ao perceber que os trabalhadores do país aceitam o Capitalismo, eles então aceitar o pensamento dos trabalhadores e, portanto, passam a defender reformas gradativas.

Ou seja, a social democracia aceita o capitalismo, mas tenta corrigir os efeitos negativos deste sistema, uma combinação que deu origem ao “Estado de bem-Estar Social”. Ou seja, prezando pelo pleno empego, o aumento da renda dos trabalhadores, o que resultaria em um aumento da demanda interna, ou seja, a produção e o consumo, e que consequentemente geraria crescimento econômico e melhoria das condições sociais.

Para isso, o Governo então fica responsável por regular o mercado, criando proteções e leis, como um salário mínimo, a regulação da jornada de trabalho e outros direitos, como seguro desemprego e licença maternidade. O Estado também assume ou participa de atividades econômicas consideradas importantes para o desenvolvimento do país, como os setores de energia, e transportes, além de um sistema de saúde mais amplo e programas habitacionais. Porém, diferentemente do socialismo, por exemplo, não se envolve na produção de bens de consumo.

A justificativa para a maior presença do Estado é que para os sociais-democratas somente o Estado conhece e terá interesse de atender igualmente a toda a sociedade, pois os serviços privados focam as operações apenas em regiões em que a produção seria mais lucrativa, podendo deixar uma parte da população de mãos vazias.

O Estado também seria importante na abertura de linhas de créditos, o que poderia gerar déficit público no primeiro momento, mas que seria recompensado no novo ciclo da expansão da economia.
Na parte social, os sociais-democratas compartilham as ideias progressistas, de igualdade e de luta das minorias por direitos.

Crítica ao progressismo e a Social Democracia

A principal crítica ao progressismo é que a ideologia pensa muito em distribuição e igualdade, e não em como fazer crescer a economia de fato. Além de também as críticas ao assistencialismo e de que o excesso de direitos afasta o interesse de investimento privado.



Fontes
Conservadorismo: perspectivas conceituais Gabriel Romero Lyra Trigueiro
politize.com.br
Enlightenment Phantasies: Cultural Identity in France and Germany, 1750-1914"
CONSERVADORISMO, LIBERALISMO ECONÔMICO E O CASO BRASILEIRO Hermógenes Saviani Filho
O livro da política
O livro urgente da política